“Beto Louco” propõe delação premiada ao MP de São Paulo

A atual proposta de delação não envolve autoridades de Brasília, que têm foro privilegiado

“Beto Louco” propõe delação premiada ao MP de São Paulo
Autoridades de Brasília não serão alcançadas pela delação de Louco- Foto: Divulgação/MPSP/Via CNN

Conhecido como “Beto Louco”, o empresário Roberto Leme formalizou junto ao MP-SP (Ministério Público de São Paulo) entregar os anexos de sua proposta de delação premiada, uma decisão que pode detalhar um esquema bilionário de fraudes fiscais e lavagem de dinheiro no Estado, segundo informações da jornalista Mônica Bergamo.

A proposta está ligada à operação Carbono Oculto, deflagrada em 2025 objetivando apurar a atuação do crime organizado em setores da economia formal, como postos de combustíveis, padarias e fintechs.

As investigações indicam a infiltração de criminosos nessas atividades legais para ocultar recursos ilícitos.

Nos documentos repassados aos procuradores paulistas, Beto Louco propõe revelar a participação de servidores públicos e de magistrados nas irregularidades.

Demonstrando tentativa de validar as informações, o empresário entregou dezenas de celulares que utilizava e dados de corroboração.

Outro ato positivo nas tratativas, segundo a reportagem de Bergamo, salienta que Beto Louco concordou em pagar milhões de reais como ressarcimento aos cofres públicos pelos crimes cometidos, etapa considerada como maior entrave nas negociações da delação.

A atual proposta de delação não envolve autoridades de Brasília, que têm foro privilegiado, um cenário diferente em tentativa anterior que não prosperou, quando no ano passado, Paulo Gonet, procurador-geral da República rejeitou a colaboração que incluía nomes de peso do alto escalão político, como Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), presidente do Senado.

À época, reportagens apontavam que o empresário teria presenteado o congressista com canetas emagrecedoras Mounjaro, ainda não disponibilizadas no mercado brasileiro, além de ter financiado um show do cantor Roberto Carlos no Amapá. seu estado natal.

Os “presentes” seriam em troca de apoio político para reverter decisões da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) contra a sua empresa, a Copape. Alcolumbre nega envolvimento.

Leme é considerado foragido da Justiça, e passou as últimas semanas em contato com sua defesa no Brasil costurando os anexos de sua delação, que funcionam como uma prévia do conteúdo a ser detalhado caso o acordo seja aceito.

A decisão final sobre a aceitação da proposta caberá ao procurador-geral da Justiça de São Paulo, Paulo Sergio de Oliveira e Costa.  A avaliação envolverá tanto a consistência das provas apresentadas nos celulares quanto a relevância das informações para a investigação.

Fonte: Poder360