BH mapeia regiões com maior número de pessoas com coronavírus; saiba quais são
Localizada na parte nobre da cidade, as regiões com maior número de casos do novo coronavírus contrastam com as demais extremidades da capital mineira
Paulo Henrique Dias
De Belo Horizonte
A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), junto com a Secretaria Municipal de Saúde (SMSA), tem publicado diariamente o boletim epidemiológico sobre a pandemia do novo coronavírus na capital. O objetivo das publicações é mapear as regiões que concentram os maiores índices de casos positivos da doença. O mapeamento apontou as regiões Oeste, Centro-sul e Noroeste como as que possuem maior concentração de pessoas infectadas pela Covid-19.
O mapa da Prefeitura, reproduzido com base nos dados da Secretaria de Saúde, coletados entre os dias 17 e 23 de abril, demonstram a concentração de casos atestados em todas as regiões da capital. Os locais que mais se destacaram na análise dos dados foram as regiões Oeste, Centro-sul e Noroeste. Os maiores índices estão nos bairros Prado, Calafate, Gutierrez, Santo Agostinho, Barro preto, Coqueiros e parte do Novo Glória.
Já na região Norte do mapa, conforme a distribuição geoespacial apresentada pela Prefeitura, não é possível detectar casos nos bairros Tupi A, Tupi B, Guarani entre outros que estão na região. O número de casos é visivelmente menor nas regiões Leste, noroeste, norte, Barreiro e Venda Nova em relação com as regionais Centro-Sul e Oeste.
Especialista
Para o infectologista, Leandro Curi, a diferença no mapa pode ser explicada por uma série de fatores: como o maior acesso a testes rápidos, já que nas regiões que há manchas escuras se encontram pessoas com maior poder aquisitivo comparada às demais. “Talvez, pelo poder aquisitivo maior, o acesso a testes esteja maior, mas devemos avaliar se os sintomáticos foram mais testados. Isso explicaria um número maior de idosos procurando assistência médica, porque nos idosos a manifestação tende a ser mais evidente. Pessoalmente, eu estava esperando maioria dos casos em aglomerados, onde a densidade populacional é maior”, esclarece o especialista.
De acordo com a atualização do boletim epidemiológico da PBH (28/04), há 29.478 casos notificados, 555 confirmados, 14 óbitos e 1.244 descartados. Se comparados com os dados da semana passada, houve um aumento considerativo nos casos confirmados. Na quinta passada, eram 482 casos confirmados do vírus. Até terça-feira (28), mais 73 pacientes foram diagnosticados com a doença, as mortes passaram de 11 para 14. Entre as mortes pelo Covid-19, as mulheres são o dobro dos homens, até o momento foi detectado 10 mortes entre as mulheres e 4 entre os homens.

Questionado sobre a vulnerabilidade das mulheres serem menores que as dos homens em relação a contaminação pelo vírus, o infectologista destaca “Na verdade, não. A prevalência mundial é de maioria masculina nos óbitos; nesse ponto fugimos das estatísticas do Covid-19. Isso nos faz pensar mesmo se estamos lidando com a mesma cepa que em outros locais estudados e as razões dessa variabilidade”.




