Bloco do Cemitério homenageia Clara Nunes e leva misticismo do samba às ruas de Itabira durante o pré-Carnaval
Cortejo “É a procissão do samba” marca o nono ano do grupo, que ressignifica espaços históricos e reforça identidade cultural mineira

O tradicional bloco carnavalesco “Nós que aqui estamos, por vós esperamos”, conhecido como “Bloco do Cemitério”, prepara seu nono cortejo em Itabira com uma homenagem à cantora mineira Clara Nunes, um dos maiores símbolos da música popular brasileira. Em 2026, o grupo desfila com o tema “É a procissão do samba, abençoando a Festa do Divino Carnaval”, unindo espiritualidade, ancestralidade e identidade mineira.
Criado em 2018 por dois professores de História, Joaquim Olegário e Adolpho Marques, o bloco nasceu com a proposta de ressignificar espaços marcados pelo imaginário negativo, como as imediações do Cemitério do Cruzeiro e da antiga cadeia pública. A escolha do ponto de concentração tem caráter simbólico: ao reconhecer a finitude da vida, o coletivo propõe a celebração da existência por meio da arte, da música e da convivência comunitária.
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Homenagem à “Guerreira” do samba
Após reverenciar Rita Lee em 2024 e Elza Soares em 2025, o bloco volta suas atenções à força mística e vocal de Clara Nunes. A artista, reconhecida por sua ligação com as raízes africanas, religiosidade popular e o samba de matriz afro-brasileira, representa a união entre cultura, fé e resistência.
A escolha também dialoga com a mineiridade, já que Clara Nunes nasceu em Minas Gerais e construiu uma trajetória marcada pela valorização da cultura afro-brasileira.
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Ensaios, arte e cuidado coletivo
Os preparativos para o desfile começaram em setembro de 2025, com ensaios semanais na Praça Dr. Nelson Lima Guimarães, no bairro Pará. Os encontros extrapolam a dimensão musical: funcionam também como sessões de musicoterapia, conduzidas por um dos fundadores do bloco, fortalecendo o vínculo entre cultura e bem-estar social.
A edição de 2026 conta ainda com a participação do percussionista Johnny Herno, que amplia as experiências sonoras do grupo com a proposta “Do Groove da lata ao Berimlata”, incorporando diversidade rítmica e experimentações percussivas ao cortejo.

Cultura como transformação urbana
Para os organizadores, o crescimento do pré-Carnaval de rua em Itabira reflete uma nova visão de desenvolvimento cultural, aliando arte, responsabilidade social e ocupação consciente dos espaços públicos. O “Bloco do Cemitério” consolida-se como um dos protagonistas desse movimento, promovendo diálogo entre história, identidade e celebração popular.
Idealizador e cofundador do bloco, Joaquim Olegário destaca o papel do projeto como agente de integração comunitária, mantendo viva a proposta de um Carnaval que une memória, reflexão e alegria coletiva.






