Bomba: Sintsepmi acumula mais de R$1,5 milhão em dívidas fiscais
Além das dívidas fiscais, o Conselho Fiscal relatou uma série de inconsistências administrativas deixadas ao longo dos últimos anos

O Sindicato dos Trabalhadores e Servidores Públicos Municipais de Itabira (Sintsepmi) iniciou 2026 em meio a um cenário financeiro considerado crítico pela nova diretoria. Durante a primeira assembleia do ano, realizada nesta sexta-feira (27), na Câmara Municipal de Itabira, a presidente Graziele Vieira Cachapuz Machado apresentou um levantamento preliminar do Conselho Fiscal que aponta a existência de R$1.567.309,34 em dívidas fiscais acumuladas (relatório de setembro de 2024).
De acordo com o diagnóstico inicial, o montante envolve pendências junto à Receita Federal, Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), além de indícios de não recolhimento de encargos trabalhistas e impostos vinculados a direitos sociais. O advogado do sindicato, Pedro Moreira, afirmou que o principal foco neste momento é mapear a natureza exata dos débitos.
Segundo ele, o trabalho agora é entender quais obrigações estão em aberto e quais créditos o sindicato eventualmente tenha a receber em processos nos quais atua como parte autora. Atualmente, há cerca de 20 ações tramitando entre Justiça Estadual, Federal e do Trabalho.
Além das dívidas fiscais, o Conselho Fiscal relatou uma série de inconsistências administrativas deixadas ao longo dos últimos anos, entre elas: pagamentos sem notas fiscais ou recibos; ausência de atas do Conselho Fiscal e da Diretoria; gravações de assembleias não localizadas; falta de contratos e documentos comprobatórios; inexistência de Livro Caixa ou controle formal de fluxo de caixa; ausência de demonstrativos e balanços contábeis entre 2019 e 2025 e falta de relatórios de inventário patrimonial.
Ainda segundo o Conselho Fiscal, a contabilidade informou que serão necessários cerca de quatro meses para concluir a escrituração, devido ao acúmulo de seis anos sem contabilização regular.
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Outro ponto que chamou atenção foi a situação do veículo oficial do sindicato, devolvido apenas nesta sexta-feira, meses após a eleição da nova diretoria. O automóvel acumula cerca de R$6 mil em multas, incluindo uma infração por embriaguez ao volante.
Há ainda registros de aproximadamente R$2 mil em gastos com combustível, inclusive vinculados a placas que não seriam do carro do sindicato. O advogado ponderou que é necessário cautela antes de qualquer conclusão.
“Não é uma caça às bruxas, como a presidente muito bem colocou. Mas também não é praticar a omissão e fechar os olhos para algo grave que possa ter acontecido”, disse.
Possível comunicação ao Ministério Público
A presidente do sindicato, Graziele Cachapuz, informou que já existem elementos suficientes para registro de boletim de ocorrência e denúncia ao Ministério Público, caso as irregularidades sejam confirmadas. “A gente já tem informações suficientes para a gente fazer um boletim de ocorrência e uma denúncia no Ministério Público. É claro que outras medidas a gente vai discutir depois que a gente conseguir apurar realmente. Igual eu disse, a cada dia aparece uma dívida nova”, declarou.
Ainda segundo o advogado Pedro Moreira, caso seja comprovado que valores descontados de trabalhadores não foram repassados, pode-se estar diante de uma conduta juridicamente grave, passível, em tese, de caracterização como apropriação indébita. O Conselho Fiscal deverá, após a conclusão da escrituração, elaborar relatório e parecer para apresentação em assembleia convocada especificamente para apreciação das contas.
O que diz Auro Gonzaga?
A DeFato procurou Auro Gonzaga, ex-presidente do Sintsepmi, para manifestar sobre o caso. Até o fechamento da matéria, nenhum retorno foi obtido. O espaço segue aberto para futuras manifestações.




