BR-381 é cheia de armadilhas

Condições precárias, erosões e manutenção deficiente se somam a sinalização degradada e, em muitos casos, mal posicionada para criar ambiente propício a acidentes

Os motoristas que viajam pelos 108 quilômetros da BR-381 que ligam Belo Horizonte a João Monlevade não precisam apenas redobrar a atenção e tirar o pé do acelerador. Muitos invocam proteção divina para não se tornarem mais vítimas do traçado sinuoso da Rodovia da Morte, como foi o destino dos quatro universitários e do motorista da Sprinter atingida por um caminhão Ford Cargo em uma das mais perigosas curvas da rodovia. A estrada é um bom exemplo de como o governo federal não aplica bem os impostos no setor de infraestrutura de transporte.
 
O traçado da Rodovia da Morte, que acompanha vales e contorna montanhas, esconde várias armadilhas. Boa parte do percurso não tem acostamento, a drenagem é ruim e a sinalização, abaixo do que se pode chamar de precária. No km 435, onde ocorreu a batida frontal entre a van e o caminhão, uma placa alertando o motorista para a curva acentuada, no sentido Vitória/BH, foi colocada a poucos metros do ponto crítico. Perto dali, no km 390, um barranco desmoronou e invadiu parte do asfalto, no sentido contrário.

No km 387, a ponte que começou a ser construída na década passada não foi concluída. Resultado: ferragem exposta e parte da mureta destruída. Mas o perigo maior está na serra que divide São Gonçalo do Rio Abaixo e João Monlevade. Uma enorme erosão engoliu parte do asfalto no sentido Vitória. O imenso buraco, numa curva do km 376, pega motoristas de surpresa, principalmente os de veículos pesados, que rodam na pista da direita. Evidenciando o risco, uma das placas de advertência colocadas no local foi derrubada por uma carreta.

A erosão está justamente no trecho que pode ser eliminado da BR-381, caso o projeto do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) saia do papel. O órgão pretende construir uma variante de 54 quilômetros entre São Gonçalo do Rio Abaixo e Nova Era. O novo traçado será em linha reta e contará com pelo menos dois túneis, além de pontes. Sua execução, porém, não está garantida, já que não há consenso entre o Dnit e a Agência Nacional de Transportes Terrestres sobre o futuro da estrada