A decisão da Copa América de futebol feminino vai reunir o favorito Brasil e a anfitriã Colômbia. A vaga da seleção de Pia Sundhage veio na noite de terça-feira (26) com vitória sobre o Paraguai, por 2 a 0, em Bucaramanga. Além da vaga para mais uma final, as brasileiras carimbaram o passaporte para a Copa do Mundo de 2023, na Austrália e Nova Zelândia, e para os Jogos Olímpicos de 2024, em Paris, na França.
Graças aos gols de Ary Borges e Bia Zaneratto ainda no primeiro tempo, o Brasil buscará seu oitavo título da Copa América no sábado, às 21 horas. A seleção ergueu a taça em 1991, 1995, 1998, 2003, 2010, 2014 e 2018. A única edição que não teve a seleção canarinha no topo foi em 2006, quando a Argentina ergueu o troféu. Vice-campeãs em 2010 e 2014, as donas da casa buscarão o primeiro título da competição.
A seleção brasileira entrou em campo com amplo favoritismo após quatro vitórias na fase de classificação e 100% de aproveitamento. As comandadas de Pia Sundhage fizeram 4 a 0 na Argentina, 3 a 0 no Uruguai, 4 a 0 na Venezuela e 6 a 0 no Peru. Incríveis 17 gols marcados e nenhum sofrido.
Mesmo com números favoráveis, a treinadora pregava cautela contra um adversário em sua visão “perigoso”. Comandadas pelo brasileiro Marcello Frigério, as paraguaias apostavam na marcação forte e nos cruzamentos para a área em bolas paradas para tentar surpreender.
Nem bem o jogo começou e o Brasil já chegou no ataque. A primeira finalização veio com somente 14 segundos. A resposta saiu com defesa de Lorena e bola na trave logo depois. O susto não intimidou a equipe verde e amarela, que dominava as ações com imposição e velocidade. Antes dos 10 minutos, Adriana e Bia Zaneratto ficaram próximas de abrir o marcador.
O primeiro gol era questão de tempo. O enorme sufoco surtiu efeito aos 16 minutos. Tamires serviu Bia Zaneratto, que não conseguiu dominar, mas ajeitou para Ary Borges acertar o chute rasteiro no canto. Comemoração efusiva e dancinha com as reservas na beirada do campo.
Bia Zaneratto, em seu 100° jogo com a camisa da seleção, ampliou em chute forte de pé esquerdo. Após roubada de bola de Antonia, a arbitragem deu vantagem em lance com entrada dura em Debinha e a jogadora do Palmeiras não desperdiçou.
O primeiro tempo terminou quente, com as paraguaias revoltadas contra a arbitragem após um cartão amarelo em falta dura que não admitiram. E o nervosismo seguiu no começo do segundo tempo.
Frigério cobrava calma de sua equipe na beira do campo, enquanto as brasileiras buscavam administrar a ótima vantagem com passes certeiros, administração da posse de bola e busca intensa do terceiro gol. Optando por ficar o máximo de tempo no ataque, evitavam passar aperto na defesa.
Mesmo com um rival marcando com linha de cinco, Zaneratto, Tamires, Duda Sampaio e Geyse tiveram boas chances. O Paraguai não conseguia mais impor resistência e pouco ameaçou a meta da goleira Lorena. O Brasil não caprichou nas tantas oportunidades criadas, viu a artilheira Adriana carimbar o travessão no último lance, mas festejou a vaga na decisão sem grandes problemas.
Pia se diz decepcionada com atuação
Foram três classificações conquistadas com apenas uma vitória. Mas nada disso empolgou a técnica Pia Sundhage, que admitiu insatisfação com o desempenho da equipe na noite de terça-feira.
“A vitória de hoje nos deu uma passagem para a Copa do Mundo e para a Olimpíada. Esse era o objetivo e estou muito feliz por conquistá-lo. Estou muito feliz com o resultado de hoje, mas muito desapontada com a performance durante toda a partida, pois acredito que as jogadoras brasileiras podem mais do que isso e que terão que fazer melhor contra a Colômbia”, avaliou.
Um dos pontos que mais preocupou Pia foi a falta de eficiência do ataque na semifinal. O Brasil registrou 26 finalizações, mas marcou apenas dois gols. “Nós não aproveitamos todas as nossas chances, especialmente no jogo de hoje e no segundo tempo. Mas é claro que vamos treinar, colocá-las em situações semelhantes à que podemos enfrentar e exigir o máximo delas para que ganhem mais confiança. Se fizermos um gol, acredito que abriremos caminho para marcar outros, então é um pouco sobre ‘capricha’ e também confiança”.
A final da Copa América está marcada para a noite de sábado (30), às 21h, contra a anfitriã Colômbia. “Será um jogo fantástico. Eu estava assistindo à vitória delas ontem (segunda) e sei que enfrentá-las será difícil em vários aspectos. Claro que iremos – e que já começamos – a analisar a Colômbia. Devemos estudar seus pontos fortes e fracos. Ao mesmo tempo, precisamos ter em mente a nossa força e, no jogo de hoje, acredito que poderíamos ter nos saído muito melhor no ataque”.
A vitória conquistada na noite de terça foi determinante para o calendário da seleção nos dois próximos anos. Pia agora já tem dois grandes objetivos pela frente: o Mundial de 2023 e a Olimpíada, no ano seguinte. “A primeira coisa que farei agora é esboçar um cronograma para que a gente se prepare para as duas competições”, projetou.
A classificação olímpica foi histórica porque a seleção feminina de futebol se tornou a primeira equipe e modalidade a garantir vaga para o Brasil nos Jogos Olímpicos de Paris, a exatos dois anos do início da grande competição.
“Se falarmos da experiência de comandar a seleção brasileira numa Olimpíada, acho que podemos fazer muito melhor. Eu aprendi muito naquelas quartas de final (nos Jogos de Tóquio) e nós não cometeremos os mesmos erros daquela vez. A experiência de estar em Olimpíadas à frente dos Estados Unidos e da Suécia foi muito importante para chegar à seleção brasileira, então espero que no próximo torneio, na Copa do Mundo, é muito importante se preparar não só para o segundo ou terceiro jogos, mas para toda a competição, fase de grupos, oitavas e assim por diante”, comentou.
Pia tem no currículo três medalhas olímpicas, duas delas de ouro, ambas conquistadas comandando a seleção feminina dos Estados Unidos. A prata veio com a Suécia nos Jogos do Rio-2016.

