Brasil é o principal mercado de crack do mundo, afirma especialista

Sandra Kiefer, do Estado de Minas, falou sobre a premiada série de reportagens produzida pelo jornal

Brasil é o principal mercado de crack do mundo, afirma especialista
A dependência química foi a temática central de um bate-papo esclarecedor na noite dessa terça-feira, 9 de setembro, no Teatro da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade, em Itabira. O encontro foi promovido pela Vale. O auditório ficou lotado por um público composto de estudantes, funcionários e gestores da mineradora, além de autoridades políticas e comunidade. O gerente de Operações da Vale em Itabira, Fernando Carneiro, e o diretor de Ferrosos Sudeste da mineradora, Antônio Padovezi, participaram do evento.
 
Padovezi abriu o encontro falando da importância da prevenção como a melhor maneira de enfrentamento às drogas. O prefeito de Itabira, Damon de Sena, ressaltou a relevância do tema, lembrando que as consequências da dependência é a violência. Ele voltou a falar sobre a necessidade de um centro de internação de menores na cidade.
 
A convidada Sandra Kiefer, jornalista de O Estado de Minas, falou sobre a premiada série de reportagens produzida pelo jornal, "O Crack como ele é", e contou como foi o trabalho de campo junto aos usuários e suas histórias. Ela apresentou dados da Fundação Oswaldo Cruz, caracterizando o perfil do usuário de crack na capital mineira. Os números apontaram que 86,8% são homens, 67% com idades entre 31 e 51 anos, e 83% negros e pardos. A convidada apontou características, hábitos dos usuários e mostrou que o problema deixou de incomodar as pessoas. “Ao mesmo tempo em que, por mais que se mostre esta realidade, os usuários são como invisíveis muitas vezes”. Segundo Sandra, as drogas estão em toda esfera social, na capital ou em cidades pequenas. “O crack no interior está tão ou maior que na capital”.
 
Abordando os efeitos nocivos do vício, o toxicologista e perito criminal, Pablo Marinho, informou que pelo menos 70% dos usuários de crack também fazem uso de cocaína. Ele forneceu dados, mostrando que, embora os homens representem a maioria dos usuários, a mulher o supera em quantidade. “Ou seja, homens consomem 13 pedras por dia, enquanto as mulheres consomem 20”, declarou. Segundo pesquisas, o Brasil é o principal mercado de crack do mundo e representa 20% do consumo mundial. O toxicologista também explicou as substâncias tóxicas contidas nas drogas.
 
Já o médico psiquiatra Cássio Hermes de Andrade citou a prevenção como uma das ações mais importantes no combate à dependência. Para o especialista, várias ações têm papel essencial nesse combate: ambiente familiar estável; forte vínculo pais e filhos; disciplina e monitoramento; vínculos com instituições sociais (igrejas, grupos de jovens etc.); amigos que não usam drogas e campanhas. Cássio ressaltou que a dependência química não tem cura, mas tem tratamento. O público foi convidado a participar de um debate com perguntas direcionadas aos especialistas.