CRUZEIRO 0 x 0 ATLÉTICO
Um retrato fiel da irregular e fraca temporada de Cruzeiro e Atlético: se em uma frase tivesse que definir o clássico válido pela 32ª rodada do Brasileiro, esta seria a afirmativa. O duelo escancarou, para os dois lados, a pobreza ofensiva, o excesso de erros individuais e a falta de intensidade.
O primeiro tempo mostrou o Cruzeiro melhor, nos primeiros 15 minutos. Mais posse de bola deveria ser acompanhada, também, de mais velocidade na troca dos passes, já que o Atlético tinha praticamente os 10 jogadores de linha no seu campo de defesa. O quarteto ofensivo celeste, além de bem marcado, assim como tem sido praticamente toda a temporada, movimentava-se mal e pouco.
O Galo equilibrou a partida na segunda metade do primeiro tempo, quando conseguiu segurar mais a bola no campo de ataque. Mas os contra-ataques lentos e a falta de opções para tocar a bola com mais fluidez impediram que a melhora se transformasse em chances reais.
A entrada de David logo na volta para o segundo tempo, na teoria, daria maior velocidade e poder de fogo ao Cruzeiro. Na teoria. Abel Braga, aliás, empilhou atacantes na segunda etapa, como quem quer sentir o gosto da vitória, mas sem a menor demonstração de que sabia a receita.
Se Abel acertou ao menos em mudar cedo para tentar mudar o jogo, Vagner Mancini pecou pela demora em mexer, como o próprio admitiu na entrevista coletiva. Bruninho e Marquinhos entraram bem, mas só aos 24’ e 35’ do segundo tempo, respectivamente.
A troca de lados foi a única diferença do primeiro para o segundo tempo. O nivelamento por baixo marcou a partida, ilustrou a temporada vexaminosa das duas equipes. O Cruzeiro, com o elenco que tem, luta contra o rebaixamento, em meio à maior crise institucional de sua história. O Atlético, apenas alguns pontos à frente, coleciona as vergonhosas eliminações da Libertadores e Sul-Americana, em meio a diversas decisões erradas de sua diretoria.
O 0 a 0 foi pouco. Moralmente, uma grande derrota na temporada para cada lado. Resultado menos pior para o Atlético, que se aproxima da pontuação “segura” (43 pontos) para escapar do rebaixamento. O Cruzeiro, por sua vez, recordista no número de empates no campeonato (14), permanece na sina de não conseguir abrir uma vantagem considerável para o Z-4. No mais, os números de finalizações e passes errados são autoexplicativos:
VERGONHA, TAMBÉM, FORA DE CAMPO
Para deixar o clássico ainda mais feio, após o apito final, alguns torcedores (torcedores, mesmo?) do Atlético invadiram camarotes do Mineirão destinados a cruzeirenses e promoveram um tumulto generalizado, com direito à depredação e arremesso de cadeiras. Isso mesmo: confusão iniciada nos camarotes. Também teve crime de racismo direcionado a seguranças do estádio. Torcida única? As organizadas têm que acabar? Respostas difíceis e, ao que parece, indiferentes, para uma sociedade que, num todo, deu errado e que simplesmente não sabe conviver com as diferenças.
Por Leandro Colombo

