Brasileiros vão comprar mais de 300 mil carros em agosto
Agosto caminha para registrar um novo recorde para o mês nas vendas de automóveis e comerciais leves. Até anteontem, o 11º dia útil do mês, foram comercializadas 133.212 unidades no país, 5,4% a mais que os 126.362 emplacamentos registrados no mesmo período de julho. Como a segunda quinzena costuma ser melhor para os negócios, o […]
Agosto caminha para registrar um novo recorde para o mês nas vendas de automóveis e comerciais leves. Até anteontem, o 11º dia útil do mês, foram comercializadas 133.212 unidades no país, 5,4% a mais que os 126.362 emplacamentos registrados no mesmo período de julho.
Como a segunda quinzena costuma ser melhor para os negócios, o setor já espera vender perto ou mais de 300 mil unidades até o encerramento do mês. Até agora, o melhor agosto da história foi o de 2008, quando foram comercializadas 224.100 unidades. O melhor mês da história foi março deste ano, último com Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) reduzido, quando os emplacamentos de automóveis e comerciais leves somaram 337.381.
A previsão da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) é que o país produza 3,4 milhões de unidades em 2010, também um recorde histórico. As vendas são turbinadas por clientes como a médica Maria do Socorro Gonçalves Freitas Medeiros, que acaba de comprar um carro novo para o filho.
"A ocasião está propícia, não pude aproveitar a redução do IPI, mas encontrei uma boa promoção", diz ela, que pagou à vista. Em 2009 ela também já tinha ajudado o mercado automotivo a crescer, comprando um carro zero quilômetro para a filha. A cada dia útil da primeira quinzena de agosto deste ano foram emplacadas 12.110 unidades, 14,3% a mais que no mesmo período do ano passado.
A Fiat permanece na liderança do mercado nacional, com 23,9% das vendas do mês e 23,2% no acumulado do ano. A Volkswagen aparece em segundo lugar nas duas comparações. O novo Uno tem sido um dos trunfos da montadora italiana para manter a dianteira no mercado.
Ranking. As vendas recordes de veículos neste ano fizeram o Brasil recuperar a quarta colocação no mercado mundial. De janeiro a julho, o país vendeu 1,882 milhão e superou a Alemanha em volume de emplacamentos. O consultor da PriceWaterhouseCoopers, Marcelo Cioffi, diz que até o final desta década, o Brasil deve pular para a terceira colocação do ranking.
Cioffi estima que até 2014 o mercado nacional chegue a cinco milhões de unidades. (Com agências)
Recall da GM
A General Motors (GM) anunciou ontem recall de 243 mil veículos por defeitos em cintos de segurança traseiros. O recall abrange os modelos Chevrolet Traverse, Buick Enclave, GMC Acadia e Saturn Outlook, anos 2009 e 2010, a maioria vendidos nos Estados Unidos, mas também exportados para o Canadá, México, China e Arábia Saudita.
As vendas de agosto sinalizam para um segundo semestre bastante aquecido no setor automotivo. O período é tradicionalmente melhor que os seis primeiros meses do ano, em função dos lançamentos de novos modelos, da linha do ano seguinte e do dinheiro extra que chega ao bolso do consumidor, como o 13º salário que é pago adiantado para algumas categorias.
O gerente de vendas da Roma Fiat de Contagem, Gilmar Martins, diz que a época é boa para quem busca as novidades, já que os modelos 2011 já estão nos concessionários, e para quem busca descontos. "Ainda temos unidades 2010 no estoque e o preço é cerca de 5% menor", afirma. Ele lembra que quem compra nesta época do ano paga também menos Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotivos (IPVA), que é cobrado proporcionalmente aos meses do ano. (APP)
São Paulo. A forte demanda da indústria automobilística nacional e a alta competitividade das empresas asiáticas preocupam as autopeças no Brasil. De acordo com levantamento do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), divulgado anteontem, de janeiro a julho deste ano o setor apresentou déficit, entre volume exportado e importado, de US$ 2,15 bilhões.
“O setor de autopeças não está acompanhando o crescimento da indústria automobilística nacional”, afirma Americo Nesti, conselheiro do Sindipeças. “Temos um mercado em expansão, mas precisamos viabilizar o crescimento para que toda a cadeia produtiva participe. No entanto, estamos observando um aumento significativo das importações que, inclusive, já preocupam o governo.”
Nesti descata que o déficit crescente é puxado pelo alto custo da matéria-prima, como o aço, que diminui a competitividade do Brasil frente aos preços baixos praticados pelas autopeças chinesas, coreanas e indianas. Outro ponto que afeta o aumento das importações é a defasagem tecnológica em relação a fabricantes de outros países.
Para reduzir a ameaça externa, os governos brasileiro e argentino informaram que estudam mecanismos de incentivo para fortalecer a indústria.