“Brincadeira da rasteira” viraliza e desperta preocupação em pais e escolas

Nova febre da internet já provocou pelo menos uma morte no país, de uma garota que bateu a cabeça ao cair no chão

“Brincadeira da rasteira” viraliza e desperta preocupação em pais e escolas
Vídeos com rasteiras viralizam nas redes sociais – Foto: Reprodução

A morte de uma menina causada por uma “brincadeira” que se popularizou na internet chamou a atenção de todo país para o perigo desse tipo de viralização. Emanuela Medeiros, de apenas 16 anos, morreu após participar do que é conhecido como “desafio da rasteira”. A jovem bateu a cabeça no chão na Escola Municipal Antônio Fagundes, em Mossoró, no Rio Grande do Norte.

Depois de cair de costas no chão, a estudante sofreu traumatismo craniano. Emanuela chegou a ser socorrida por funcionários e diretores da escola e foi levada a um hospital da cidade, mas não resistiu ao impacto da queda e faleceu. A fatalidade aconteceu em novembro do ano passado, mas ganhou repercussão nos últimos dias, com a viralização da “brincadeira”.

Diversos vídeos da “brincadeira da rasteira” circulam nas redes sociais. Jovens de diversas faixas etárias, algumas vezes até uniformizados e dentro das dependências das escolas, reproduzem o desfio e se divertem, ignorando o risco que correm com as fortes quedas.

Diálogo franco com os filhos, pais e escola como aliados

A itabirana Neide Aparecida Silva, professora e mãe de duas crianças, de 10 e 14 anos, conta que, após receber os vídeos do “desafio da rasteira”, imediatamente conversou com os filhos para conscientizá-los dos perigos da brincadeira.

“Como mãe, eu recebi vários vídeos dessa brincadeira de mau gosto e também recebi a notícia da morte da menina que participou do desafio. Então, eu mostrei para os meus filhos o perigo que é participar dessas brincadeiras. E busco conversar com eles para explicar que, aparentemente, se trata de uma simples brincadeira, mas é preciso pensar nas consequências. Essa conversa precisa partir e é papel dos pais”, comenta.

Professora e coordenadora de Língua Portuguesa, Neide Aparecida Silva é mãe dos garotos Davi (e) e Rafael (d) – Foto: Arquivo pessoal/Facebook

Com 20 anos de experiência nas redes municipal e estadual, Neide acrescenta que as escolas também precisam assumir o papel de “mãe” dos alunos.

“Com relação à conscientização na escola, já que o professor é quase uma mãe do aluno, também ficamos preocupados, porque são adolescentes, como nossos filhos. Por isso, podemos reunir especialistas no comportamento do adolescente, especialistas da saúde e a direção das escolas para fazer rodas de conversa sobre o assunto, para explicar as consequências sérias dessas brincadeiras. É ter o diálogo, a conversa franca como medidas de prevenção. E também mostrar a realidade perigosa desses vídeos. O adolescente gosta de desafio, gosta do que está bombando na internet, mas precisa saber dosperigos”, argumenta.