Caça a Madoff mineiro completa dois meses sem pistas

Dois meses depois de vir à público o golpe de Thales Emanuelle Maioline, que desapareceu com R$ 86,1 milhões do clube de investimentos Firv Consultoria e Administração de Recursos Financeiros Ltda, a Delegacia Especializada no Combate a Defraudações e Falsificações de Belo Horizonte ainda não tem pistas do paradeiro do ex-investidor e vai pedir nova […]

Thales Maioline teve a prisão decretada pela Justiça: investidores lesados já ajuizaram 83 ações cíveis (Jair Amaral/EM/D.A Press)Dois meses depois de vir à público o golpe de Thales Emanuelle Maioline, que desapareceu com R$ 86,1 milhões do clube de investimentos Firv Consultoria e Administração de Recursos Financeiros Ltda, a Delegacia Especializada no Combate a Defraudações e Falsificações de Belo Horizonte ainda não tem pistas do paradeiro do ex-investidor e vai pedir nova ampliação do prazo para concluir o inquérito policial. Segundo o delegado encarregado do caso, Anselmo Gusmão, serão necessários de 30 a 60 dias para a finalização dos trabalhos.

A partir da data de abertura do procedimento, a polícia tem 30 dias para finalizar o inquérito e mais 10 dias caso o suspeito seja preso. Se o golpista ainda estiver solto, concede-se mais um mês de prazo, mas o delegado pode pedir quantas prorrogações quiser. No caso de Maioline, o período encerra-se nesta terça-feira, a contar de 27 de julho, data em que investidores e clientes da Firv registraram denúncia na delegacia.
“Ainda não estou nem perto de acabar. O inquérito é trabalhoso, demorado e está ficando muito bem feito, redondo”, disse o delegado Anselmo Gusmão. Ele informou que “já ouviu o depoimento de mais de 300 vítimas do golpe e que não está preocupado tão-somente em achar o cidadão. A preocupação maior é a apuração dos fatos.”

 
Apelidado de Madoff mineiro em referência ao ex-investidor de Wall Street condenado por esquema bilionário de pirâmide financeira, Maioline está sumido há mais de dois meses Ele foi dado como desaparecido por familiares em 23 de julho, uma tarde de sexta-feira. Segundo o boletim de ocorrência lavrado na Polícia Civil de São Paulo, as últimas imagens do investidor mineiro foram registradas pela câmera da portaria de um hotel em São Paulo.

Em seguida, ele teria pegado um táxi com destino ao Terminal Rodoviário do Tietê, por volta de 15h de sexta-feira. Segundo o esquema financeiro da Firv, Thales atraía investidores oferecendo níveis de rentabilidade que chegavam a 5% ao mês, além de 11% a cada seis meses. Ele, então, utilizava o dinheiro desses novos investidores para pagar clientes antigos que queriam resgatar os recursos aplicados.

Investidores na Justiça

Enquanto isso, quase 1,5 mil investidores de 14 cidades de Minas Gerais, incluindo Belo Horizonte, Itabirito e Itabira, amargam prejuízos entre R$ 2,5 mil a até R$ 500 mil. Até agora, foram distribuídas 83 ações contra a Firv e seus representantes nas Varas Cíveis do Fórum Lafayette, todas elas na área cível, com pedidos de indenização. Em 19 de agosto, foi concedida a última das seis liminares em favor dos ex-clientes do fundo de investimento. Nela, o juiz da 7ª Vara Cível, Ricardo Torres Oliveira, determinou o arresto da loja 201, localizada no edifício Master Shopping, no bairro Buritis, onde funcionava a sede da empresa. Com isso, foi resguardado o direito de três investidores, que aplicaram um total de R$ 25 mil na empresa.

“Por enquanto, não há o que fazer. Temos de aguardar as definições vindas do inquérito policial. As vítimas poderiam entrar com ação de indenização, mas em nome de quem?”, questiona o advogado Ronaldo Passos. Ele considera ter sido um passo importante conseguir o pedido de prisão temporária (cinco dias) na Justiça contra Thales Maioline. “Pelo menos, ele já é considerado foragido. Se houvesse a captura dele, boa parte do problema para apurar sua responsabilidade estaria resolvida”, afirma. Ele se limita a ajuizar as ações trabalhistas de 15 ex-funcionários da Firv, que reclamam salário de julho atrasado, além da rescisão trabalhista com o pagamento de fundo de garantia, 13º salário e férias.

“Não quero acusar nem defender o Thales. Na hora em que o encontrarem, ele já tem ordem de prisão expedida. Preciso descobrir onde está o dinheiro deixado nas contas bancárias, carros e bens que constam no patrimônio dele”, diz Rodolfo Resende, advogado de 40 vítimas da empresa, com prejuízos que variam de R$ 2,5 mil a meio milhão de reais. Ele obteve na Justiça o bloqueio de uma picape Nissan Frontier azul, que já foi recolhida no pátio da delegacia, por causa de um débito de R$ 15 mil alegado por um investidor de Belo Horizonte.

Cronologia

>> 23 de julho
Desaparecimento e possível fuga do empresário Thales Maioline. Ele foi visto pela última vez saindo de hotel em SP em direção ao Terminal Rodoviário do Tietê.

>> 27 de julho
Inquérito para apurar suspeita de estelionato é aberto na Delegacia Especializada no Combate a Defraudações e Falsificações de Belo Horizonte, desta vez contra Maioline e sócios.

>> 30 de julho
Polícia Federal entra no caso para apurar crime contra o sistema financeiro.

>> 1º de agosto
Justiça determina quebra do sigilo fiscal e bloqueio dos bens da Firv.

>> 9 de agosto
Thales Maioline tem prisão temporária de cinco dias decretada pela Justiça.