Cada vez mais vitoriosa, Larissa Quintão analisa sucesso recente e fala sobre falta de apoio

Corredora itabirana concedeu entrevista exclusiva à DeFato

Cada vez mais vitoriosa, Larissa Quintão analisa sucesso recente e fala sobre falta de apoio
Foto: Victor Eduardo/DeFato Online
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Com a mesma intensidade dedicada aos treinos, Larissa Quintão vive as duas faces do esporte diariamente. Os ótimos resultados excelentes, que a alçaram ao protagonismo do atletismo brasileiro, contrastam com a falta de apoio financeiro e o sacrifício em ter que conciliar a rotina de atleta com a de professora.

Nesta quarta-feira (18), a esportista itabirana concedeu uma entrevista exclusiva à DeFato, na qual falou sobre tudo. A melhor fase da sua carreira, o tratamento realizado para manter o alto nível, a incerteza durante a pandemia e as dificuldades impostas pela falta de patrocínio. Confira a entrevista completa logo abaixo!

Larissa Quintão
Foto: Victor Eduardo/DeFato Online

DeFato: Como avalia seu 2022? Foi um bom ano?

Larissa: Foi maravilhoso. De todas as competições que participei, a única que não peguei pódio foi a São Silvestre, mas foi ótimo, fiquei em nono lugar, a quarta brasileira (melhor colocada). Em todas as outras provas estive no pódio. Corri a Meia Maratona Internacional do Rio, corri em São Paulo, corri em Porto Seguro, Belo Horizonte. Em todas as provas tive ótimos resultados, meus tempos melhoraram muito e teve pódio!

DeFato: Este foi seu melhor ano?

Larissa: Foi meu melhor ano. Bati todos os meus tempos passados. Comecei o ano meio insegura, voltando da pandemia, mas fui treinando, melhorando, aí percebi que estava bem e todos os meus tempos melhoraram em relação às marcas e recordes pessoais que eu já tinha.

DeFato: Você considera que vive sua fase mais madura?

Larissa: Estou em ótima fase. Foram muitos anos correndo, aprendi muita coisa. Durante a pandemia pude refletir sobre muita coisa, pensar no que eu queria, se iria continuar ou não, porque fiquei muito tempo sem competições. E aí vi que era realmente isso que eu queria. Voltei a treinar, havia ficado muito tempo sem treinar antes da pandemia devido a uma lesão. E estou na melhor fase da carreira.

DeFato: Qual foi a lesão?

Larissa: Tive uma pubalgia. Fiquei muito tempo sem treinar, mas como estava na pandemia, não tinha competição e tive tempo para me recuperar.

DeFato: Além do nono lugar na São Silvestre, sendo a quarta entre as brasileiras, destacaria outros resultados?

Larissa: Fiquei em terceiro lugar na Volta Internacional da Pampulha, em quarto na Meia Maratona internacional do Rio, sendo a primeira entre as brasileiras, fui campeã na Meia Maratona do Descobrimento, campeã na Meia Maratona Internacional de BH. Corri em Buenos Aires, ficando em segundo lugar… então foram muitos resultados expressivos.

DeFato: Com o apoio da DMX Scan, você está realizando um tratamento na câmara hiperbárica. Qual é o impacto em seu rendimento?

Larissa: Estou vindo em uma boa fase e, querendo ou não, o corpo sente a rotina de atleta. E aí tive esse apoio da DMX, firmamos uma parceria, porque vimos que a câmara pode ter resultados, pois o corpo sofre várias microlesões durante o processo de treinos e competições. Semanalmente faço o tratamento e acho que ajuda em tudo, pois tem coisas que a gente nem vê e a câmara contribui muito nisso. Já competi três vezes em uma semana e meu rendimento foi muito bom em todos os campeonatos.

DeFato: E como estão as expectativas para 2023?

Larissa: Em 2023 é continuar com bons resultados, melhorar as marcas. No início do ano a gente descansa um pouco, mas na semana que vem já vou para São Paulo competir lá. As provas são quase sempre as mesmas, mas espero estar melhor nelas, tanto nos pódios quanto nos tempos também. É só treinar e se dedicar.

DeFato: Além dessa competição em São Paulo, já pode confirmar outras neste início de ano?

Larissa: Também vou ter uma em Governador Valadares e outra em Ponte Nova.

DeFato: Já consolidada como atleta de elite, e competindo em tantos lugares, está mais difícil conciliar com a rotina de professora?

Larissa: Às vezes é difícil, porque acabo tendo que competir em outros estados, ou outro país, como quando fui a Buenos Aires, então exige mais tempo e planejamento. Por enquanto está dando para conciliar, mas a gente fica mais cansada, a recuperação não é a mesma. Eu não vivo disso, não sou uma atleta profissional, mas os meus resultados são muito bons. Acho que sou uma das poucas atletas de elite que continua trabalhando, pela falta de patrocínio acabo tendo que me sacrificar nisso para pagar minhas viagens.

DeFato: Está claro que hoje você é uma das melhores corredoras do país, mas ainda assim não conta com o apoio necessário. Como enxerga isso?

Larissa: É triste. Os apoios que eu tenho são da minha equipe, que me dá um suporte, meus fisioterapeutas, academia, o apoio da DMX com a câmara hiperbárica. Mas são apoios, não patrocínios. Minhas viagens são bancadas por mim mesma, por isso eu trabalho. A gente tem muita promessa, “ahh, vamos fechar”, mas na hora do vamos ver não saiu nada ainda.

DeFato: É aquele momento em que você volta da competição, após um pódio, tem o abraço e o papo de “ahh, vou te ajudar, vamos conversar”…

Larissa: Exatamente. Mas aí a pessoa vê o que é, não entende a dimensão… quer ajudar com roupa, mas eu já tenho uniforme. Preciso de um suporte financeiro mesmo.

DeFato: Se você, atleta de alto nível, sofre com isso, imagine a realidade de outros atletas.

Larissa: Muito mais difícil. No atletismo, não temos nem local de treinamento, a gente treina na rua. Eu já estou acostumada, mas se você pega na base, começando com uma criança, você não tem um local adequado de treinamento. Então faz muita falta rever os conceitos, incentivar mesmo. Não falo apenas das crianças, mas atletas de todas as idades. Você não precisa começar apenas quando está novo, pode começar um pouco mais velho, tem a meia idade. Então todo mundo que está fazendo uma atividade deveria ter um local adequado. A cidade é grande, permite isso.

DeFato: Gostaria de deixar um último recado?

Larissa: Gostaria de agradecer a todos os parceiros, a DMX Scan, a Scalla, com meus fisioterapeutas, minha equipe da Casa do Corredor e a Academia Impacto. Também gostaria de dizer que a atividade física é importante para todo mundo. Puxando para o meu lado da corrida (risos), é muito gostoso e prazeroso. E é muito fácil pelo menos começar, para depois procurar os profissionais adequados. Começa caminhando, introduzindo a atividade física, vai tomando gosto… e depois começa você não para, vicia mesmo. E é um vício muito bom!