Caiu na rede

Os relacionamentos nunca mais foram os mesmos desde que o mundo experimentou a internet. Novas mídias surgem todos os dias e às vezes fica impossível acompanhar tantas novidades. Orkut, Facebook e Twitter são exemplos de instrumentos que aproximam as pessoas, derrubando as barreiras do espaço e do tempo – mas é sabido, também, que eles […]

Caiu na rede
Os relacionamentos nunca mais foram os mesmos desde que o mundo experimentou a internet. Novas mídias surgem todos os dias e às vezes fica impossível acompanhar tantas novidades. Orkut, Facebook e Twitter são exemplos de instrumentos que aproximam as pessoas, derrubando as barreiras do espaço e do tempo – mas é sabido, também, que eles costumam acabar com namoros e até casamentos. Da mesma forma, quem está à procura de emprego precisa ter cuidado, pois as redes sociais podem ser traiçoeiras. Um perfil queimado na net – assim como pode melar uma paquera – é decisivo para a perda da tão sonhada vaga.
 
Max Gehringer, um expert em mercado de trabalho, sempre aborda o assunto em seus quadros na Rede Globo. Do lado de cá da tela, pode parecer exigência tão somente de grandes empresas, mas não é bem assim. Os especialistas avisam que, cada vez mais, as pequenas e médias companhias se preocupam com o que se passa na vida pessoal de seus funcionários – ou candidatos.
 
Para os profissionais que trabalham com recrutamento e seleção, as redes sociais são utilizadas como uma ferramenta de avaliação complementar. “Após todo o processo, que envolve análise de currículos, entrevistas, testes psicológicos e outros, os sites de relacionamento são usados como uma ferramenta complementar. Neles, os candidatos costumam se expor de uma maneira mais sincera e permite-nos conhecer um pouco mais do que eles pensam e fazem no dia a dia”, explica Daniela Monteiro, da Humana Desenvolvimento Empresarial, de Itabira.
 
Danadinha do Funk
As histórias de pessoas que se deram mal por causa de postagens infelizes em redes de relacionamento são muitas. Cristiane Lage, diretora comercial da Insight Consultoria, conta o episódio de uma gerente que não passou do período de experiência por causa de uma comunidade no Orkut.
 
A gerente, que certamente não tinha noção do poder e abrangência da rede, era uma excelente profissional. Chegava todos os dias pontualmente, ocupava um posto de confiança na empresa e se preocupava com sua imagem diante dos demais colegas e superiores.
 
Empolgada com a possibilidade de ter centenas de amigos virtuais, ela mandou convites de amizade para seus colegas de trabalho e todos tiveram acesso ao seu álbum de fotos. A moça “séria” era integrante ativa de uma comunidade chamada “Danadinha do Funk” e possuía imagens ousadas em seu perfil, frequentando baladas e consumindo bebidas e cigarros.
 
 A novata acabou sendo dispensada por conta da impensada exposição na rede. “As pessoas não percebem nem avaliam o que elas postam. A vida fora do ambiente profissional reflete dentro da empresa, mas elas não associam isso”, afirma Cristiane.
 
Em horário de trabalho
Segundo as consultoras entrevistadas, nas empresas com internet liberada, é muito comum os colaboradores gastarem tempo com atualização dos perfis de relacionamento, quando deveriam estar produzindo. Uma pesquisa revelada pelo Fantástico neste mês mostrou que 31% das pessoas admitem gastar 30 minutos do tempo de trabalho com assuntos particulares, 25% desperdiçam uma hora e 9,5% dos pesquisados gastam até duas horas cuidando da vida pessoal em vez de trabalhar.
 
A internet é a tentação número 1, segundo a pesquisa, que ouviu 1,6 mil pessoas. O levantamento detectou que 40% dos entrevistados repassam correntes e também piadas por e-mail; 20% curtem joguinhos online; 56% fazem compras e 11% veem pornografia no computador. Tudo em plena hora de trabalho. Não é à toa que algumas empresas andam oferecendo pacotes de softwares espiões, que vigiam tudo o que os funcionários fazem. Quem não se cuidar, pode acabar sendo pego.
 
O episódio de uma secretária baladeira culminou com o fim de um contrato de experiência. O fato aconteceu em Itabira. Embora eficiente, a menina nunca se desconectava do Orkut e do Twitter. O tempo todo, no horário de expediente, enviava postagens, curtia fotos, “tuitava” para os seguidores – e o chefe via tudo. O resultado não foi outro: perdeu a oportunidade de começar bem a carreira.
 
Saiba usar
Se usadas conscientemente, as redes sociais podem ser excelentes aliadas na busca pelo primeiro emprego. Esses meios de comunicação e interação tão revolucionários representam novas oportunidades tanto para os candidatos às vagas de emprego quanto para as empresas de um modo geral.
 
“Estar atento ao que se divulga nas redes pode colaborar com o marketing pessoal”, destaca Daniela. “É uma maneira de demonstrar as características, habilidades e competências que o indivíduo possui”, completa. As redes sociais também possibilitam cadastro de currículos e processos seletivos à distância.
 
Como usar a web a seu favor
 
Mandar e-mails com currículo para recrutadores e rezar para que eles os acessem é coisa do passado. Confira as dicas de especialistas para conquistar um emprego por meio das redes sociais:
 
1 – Invista em visibilidade digital
 
Crie perfis no LinkedIn, Twitter, Facebook, Google e em outras redes sociais. Relacione todos os seus perfis (por meio de links), de modo que a busca pelo seu nome seja fácil.
 
2 – Informe que você está procurando emprego
 
Use palavras-chaves como emprego, oportunidade, seleção, vaga etc. para aumentar as chances de direcionamento de recrutadores para os seus perfis.
 
3 – Venda um “bom produto”
 
Saiba quais são seus pontos fortes e que tipo de empresa você prefere. Só então crie um perfil sólido para que as empresas vejam que você é o candidato certo.
 
4 – Organize e promova sua presença online
 
Gerencie sua reputação na internet. Use as configurações de privacidade que impedem que outros marquem você em posts e fotos.
 
5 – Produza conteúdo
 
Manter um blog atualizado pode ajudá-lo a compartilhar informações sobre temas que interessam a você. Isso pode atrair oportunidades.
 
6 – Participe com critérios das seleções nas redes
 
Não dá para atirar para todos os lados. Escolha as vagas que realmente interessam e dedique-se.
 
7 – Cuidado com cada clique
 
Se você faz parte de comunidades, bom senso nunca é demais. Se a máxima “você é aquilo que come” é verdadeira, o mesmo pode valer para “você é aquilo que posta”.