Calote de cheques entre mineiros fica abaixo da média
Os mineiros estão entre os brasileiros que menos emitem cheques sem fundo. De janeiro a agosto de 2010, o volume de folhas devolvidas em Minas Gerais foi de 1,74%, percentual inferior à média nacional no mesmo período, de 1,82% – a mais baixa no país desde 2004. Os dados são do Indicador Serasa Experian de […]
Os mineiros estão entre os brasileiros que menos emitem cheques sem fundo. De janeiro a agosto de 2010, o volume de folhas devolvidas em Minas Gerais foi de 1,74%, percentual inferior à média nacional no mesmo período, de 1,82% – a mais baixa no país desde 2004. Os dados são do Indicador Serasa Experian de Cheques Sem Fundos, divulgado nesta segunda-feira (20) pela entidade.
De acordo com o levantamento, o estado ocupa a sexta colocação entre os que menos emitem cheques sem fundos, ficando atrás de São Paulo (1,38%); Rio de Janeiro (1,51%); Paraná (1,61%); Santa Catarina (1,63%); e Mato Grosso do Sul (1,70%). Já o Amapá é a unidade da federação que apresenta o maior índice de cheques devolvidos, chegando a 11,26%.
Considerando-se apenas agosto deste ano, a inadimplência com cheques no Brasil também caiu, ficando em 1,62%. É a menor taxa desde fevereiro de 2005. Se comparado ao mesmo período de 2009, nos oito primeiros meses de 2010, houve queda de 9,3% no volume de cheques compensados, enquanto os devolvidos recuaram 26,5%.
O assessor econômico da Serasa Experian, Carlos Henrique de Almeida, afirma que a redução da inadimplência não se deve à menor utilização do cheque. Segundo ele, fatores como a busca de outras modalidades de crediário com prazos mais longos por parte dos consumidores endividados ajudam a explicar o atual cenário. Usado mais intensamente em compras à vista e parceladas, via pré-datado, para prazos mais curtos, o cheque voltou a ser um bom meio de pagamento para os lojistas e consumidores, assinala Almeida.
Ainda conforme o especialista, o recuo da inadimplência com cheques em Minas, bem como nos demais estados do Sudeste e Sul, pode ser explicada, em parte, pela questão cultural. “Na Região Norte, por exemplo, os comerciantes não têm essa visão do cheque pré-datado como venda a prazo. Além disso, há uma questão estrutural, que é a dificuldade maior de transacionar com cheque”, explica.
A coordenadora do Departamento de Economia da Federação do Comércio do Estado de Minas Gerais (Fecomércio-MG), Silvânia Araújo, ressalta que o cheque pré-datado vem sendo, gradualmente, substituído pelo cartão de crédito.
Outro fator que ajuda a explicar o quadro é a estabilização da economia. “O aumento do número de empregos com carteira assinada e a ampliação da renda, com recuperação da capacidade de pagamento por parte do consumidor, fazem com que o número de cheques devolvidos caia”, esclarece a economista. Ela acrescenta que a economia mineira tem crescido acima da média nacional, o que também influencia na queda da emissão de cheques sem fundos.
Para Silvânia Araújo, outro motivo que impacta diretamente a inadimplência é a preocupação do consumidor em manter sua capacidade de compra neste momento, em função da proximidade com o Dia das Crianças e as festas de fim de ano. “As pessoas querem ter crédito para fazer compras de Natal”, pontua.
De acordo com o assessor econômico da Serasa Experian, a tendência é que o calote com cheques continue caindo gradualmente, no país. Ele alerta, porém, que pode haver algumas pressões contrárias, devido às promoções para o Dia das Crianças e o Natal.