Câmara de Itabira analisa reajuste salarial dos servidores nesta quinta-feira; sindicato se opõe ao índice de 3,9%
Sintsepmi pretende realizar um dia de paralisação e uma passeata; prefeitura “entendendo que este é o percentual possível neste momento”

Na tarde desta quinta-feira (23), durante a reunião de comissões da Câmara de Vereadores, está prevista a análise do projeto de lei 32/2026, de autoria do governo Marco Antônio Lage (PSB) e que prevê o reajuste salarial de 3,9% aos servidores municipais de Itabira. Embora o projeto esteja na pauta do Legislativo, o índice de recomposição proposto foi rejeitado pela categoria em assembleia realizada pelo Sindicato dos Trabalhadores e Servidores Públicos Municipais de Itabira (Sintsepmi) na última sexta-feira (17).
Além de rejeitar a proposta de reajuste salarial, os servidores também decidiram realizar um dia de paralisação e uma passeata para comunicar à população as dificuldades enfrentadas no serviço público municipal e nas negociações com a prefeitura. “O servidor público municipal de Itabira está em luto. Vamos para a luta. A gente identifica que não era do interesse do prefeito negociar conosco. Então, a gente vai estar em luta nesse ano de 2026 inteiro”, afirmou Graziele Vieira Cachapuz.
Por outro lado, a Prefeitura de Itabira alega que “a condução desse tema exige responsabilidade e atenção ao equilíbrio das contas públicas, considerando tanto a valorização dos servidores quanto a manutenção dos serviços essenciais à população”.
“Diante desse cenário, e com responsabilidade na condução das contas públicas, a Prefeitura reafirma a proposta de reajuste de 3,9%, entendendo que este é o percentual possível neste momento, capaz de conciliar a valorização dos servidores com a manutenção dos serviços essenciais à população”, destacou a administração municipal em nota enviada ao portal DeFato Online.
Impasse
A presidente do Sinstsepmi comentou sobre a decisão dos servidores em assembleia e destacou que a passeata servirá para mostrar à sociedade a realidade do trabalhador público. “Nós que fazemos a luta, nós que atendemos a população, nós que resolvemos os problemas que nos são apresentados cotidianamente. Vamos dizer quais são as dificuldades que a gente tem, porque identificamos que não somos reconhecidos por essa prefeitura, não somos valorizados. Não tem um reajuste real e as nossas condições de trabalho estão muito aquém do que a população merece para atendimento”, declarou.
Questionada sobre o projeto que já tramita na Câmara Municipal e a possibilidade de o sindicato tentar pressionar os vereadores para retirar a proposta ou ampliar o reajuste, Graziele Cachapuz afirmou que o movimento busca ambas as frentes. “Os dois movimentos: retirar o projeto para poder, quem sabe, o prefeito tomar uma consciência e retomar na prática do que ele fala”, disse.
Sobre o risco de o projeto ser votado sem um acordo com o sindicato — o que pode acontecer na próxima terça-feira (28) —, a presidente demonstrou preocupação. “Não é bem um receio, é a realidade que se instaura. Os vereadores tendem a votar com o governo. Isso a gente pode reforçar com o que aconteceu na greve. Eles falaram que só iriam votar a retirada do cartão, o aumento de subsídio e outras coisas depois de conversar com a categoria, e isso não aconteceu. Estou dizendo de uma prática que já acontece na Câmara”, afirmou.
Outro lado
Em nota, o governo Marco Antônio Lage afirmou que é necessário ter cuidado com as contas públicas, mantendo o equilíbrio entre a valorização dos servidores e o custeio e manutenção do serviços que são considerados essenciais à população. “Atualmente, o Município destina um volume significativo de recursos à folha de pagamento e aos benefícios dos servidores, o que representa uma parcela expressiva das receitas públicas e exige planejamento contínuo para garantir sustentabilidade financeira“, destacou.
O Executivo municipal também ressaltou que “nos últimos 30 anos, os servidores municipais não tiveram um período com cinco anos consecutivos de reajustes salariais como o que vem sendo garantido pela atual gestão, evidenciando um avanço consistente na política de valorização do funcionalismo“.
“Com cerca de R$ 420 milhões investidos anualmente na folha de pagamento e mais de 50% de reajuste acumulado nos últimos cinco anos, o Município reafirma seu compromisso com a valorização dos servidores de forma responsável e sustentável”, destacou o secretário de Administração, João Victor Sampaio Brandão.
Ainda conforme a nota, a Prefeitura de Itabira “reafirma a proposta de reajuste de 3,9%, entendendo que este é o percentual possível neste momento, capaz de conciliar a valorização dos servidores com a manutenção dos serviços essenciais à população”.
Confira na íntegra a nota da Prefeitura Municipal de Itabira:
“A condução desse tema exige responsabilidade e atenção ao equilíbrio das contas públicas, considerando tanto a valorização dos servidores quanto a manutenção dos serviços essenciais à população.
Atualmente, o Município destina um volume significativo de recursos à folha de pagamento e aos benefícios dos servidores, o que representa uma parcela expressiva das receitas públicas e exige planejamento contínuo para garantir sustentabilidade financeira.
Além disso, é importante destacar um dado histórico relevante: nos últimos 30 anos, os servidores municipais não tiveram um período com cinco anos consecutivos de reajustes salariais como o que vem sendo garantido pela atual gestão, evidenciando um avanço consistente na política de valorização do funcionalismo.
“Com cerca de R$ 420 milhões investidos anualmente na folha de pagamento e mais de 50% de reajuste acumulado nos últimos cinco anos, o Município reafirma seu compromisso com a valorização dos servidores de forma responsável e sustentável”, destacou o secretário de Administração, João Victor Sampaio Brandão.
Diante desse cenário, e com responsabilidade na condução das contas públicas, a Prefeitura reafirma a proposta de reajuste de 3,9%, entendendo que este é o percentual possível neste momento, capaz de conciliar a valorização dos servidores com a manutenção dos serviços essenciais à população”.




