Caminhoneiros da região se preparam para greve a partir da meia noite

Por meio de grupos de whatsapp, caminhoneiros organizam paralisação e anunciam bloqueio a caminhoneiros que circularem por rodovias próximas a João Monlevade, Mariana, Ouro Preto, Itabirito, Governador Valadares, entre outras

Caminhoneiros da região se preparam para greve a partir da meia noite
Greve dos caminhoneiros em 2018. Foto: Reprodução / Internet

A greve dos caminhoneiros, programada para acontecer nessa segunda-feira (1º), está ganhando corpo nas rodovias da região. Mesmo em meio a informações desencontradas e lideranças ausentes, os caminhoneiros vem se organizando por meio de grupos de whatsapp.

Convocada pela Associação Nacional do Transporte Autônomos do Brasil (ANTB), integrante do Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas (CNTRC), a greve conta também com a participação de muitos trabalhadores autônomos.

A ANTB representa cerca de 4.500 caminhoneiros em todo país e, no dia 13 de janeiro, afirmou que não veria problema em realizar uma paralisação durante a pandemia. Na última terça-feira (26), a greve recebeu apoio da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte e Logística (CNTTL), uma das maiores entidades da categoria no país. A CNTTL possui 800 mil motoristas em sua base e orienta todos a aderirem à paralisação.

Greve nas estradas mineiras

Por meio de grupos de whatsapp, lideranças regionais dos caminhoneiros já sinalizaram como irão realizar a paralisação. Ao longo de todo o domingo (31), os motoristas trocaram mensagens para discutir e decidir de que maneira a greve acontecerá.

A previsão é que, a partir da meia noite de segunda-feira, 1º de fevereiro, os motoristas ganhem as estradas e comecem a estacionar os caminhões em pontos estratégicos das rodovias. Na BR-381, que liga Itabira e Belo Horizonte, muitos caminhoneiros foram vistos estacionando nos acostamentos. Eles ainda não sabem qual será o ponto de encontro nessa rodovia.

Diferente dos caminhoneiros das cidades de Governador Valadares, Muriaé, Realeza, João Monlevade, Curvelo, Itabirito, Congonhas, Mariana, Ouro Preto, Ponte Nova e Lafaiete. Eles devem fazer bloqueio aos companheiros de profissão e já deixaram claro que não irão interferir na circulação de carros de passeio e motos.

Convocação para greve em Governador Valadares. Foto: Internautas

Além disso, também definiram que serão liberados ônibus de linha (municipais, intermunicipais e interestaduais); caminhões de oxigênio hospitalar e de medicamentos; veículos que transportam cargas vivas; carros de urgência e segurança (ambulâncias e veículos de secretarias de saúde).

Paralisação antecipada

A Polícia Rodoviária Federal se organizou para acompanhar os manifestantes que já se reúnem, desde a tarde desse domingo (31), ao longo da BR-153, no Pará. Relatos dão conta que a entrada da capital Belém já está com o trânsito parado.

Assim como na Bahia. Nas cidades de Vitória da Conquista, Feira de Santana e Milagres, a greve dos caminhoneiros já começou.

Na rodovia Régis Bittencourt, os organizadores da paralisação dos caminhoneiros estão no Posto Costa Brava, em Quatro Barras. Eles passaram o dia distribuindo panfletos sobre a greve na grande Curitiba. Lá, a PRF e concessionária responsável pela rodovia acompanham o movimento.

Manifestantes se organizando na rodovia Régis Bitencourt. Foto: Internautas

Apoio negado

Por outro lado, a Confederação Nacional do Transporte (CNT) negou qualquer tipo de apoio à possível paralisação. A nota foi emitida pelo presidente da CNT, Vander Costa, na última quinta-feira (28). De acordo com o presidente da Associação Nacional do Transporte Autônomos do Brasil (ANTB), José Roberto Stringasci, a paralisação poderá ser maior que a realizada em maio de 2018. Na época, a greve teve duração de 10 dias.

Reivindicações 

De acordo com a ANTB, o principal motivador da greve é a alta do preço do diesel, que teve aumento de 4,4% nas refinarias no final de dezembro. Ele é o combustível, majoritariamente, utilizado por caminhoneiros. Também é reivindicada uma revisão no reajuste na Tabela do Piso Mínimo de Frete, realizada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), para o transporte rodoviário de carga.

Pelas novas regras do reajuste, não entram no cálculo a margem de lucro do caminhoneiro, custos com pedágios, custos relacionados às movimentações logísticas complementares ao transporte de cargas, despesas de administração, tributos e taxas.

Numa tentativa de frear a realização da greve dos caminhoneiros, o governo federal decidiu incluir a categoria na lista do grupo de prioridades para tomar as vacinas contra a Covid-19 no país. Além disso, a Câmara de Comércio Exterior (Camex), do Ministério da Economia, zerou o Imposto de Importação de pneus para veículos de carga.

O ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, afirmou que o governo trabalhava na revisão de normas de pesagem de caminhões nas estradas, para reduzir custos dos autônomos do setor. Por fim,  o governo deve anunciar em breve a redução do PIS/Cofins sobre o óleo diesel. Os dois impostos, porém, não seriam zerados, e sim atenuados, de acordo com interlocutores.