Campanha para substituir móveis da Matriz de São José causa polêmica em Nova Era
Movimento contrário acusa pároco de intervir em bem tombado; resposta do Iphan é aguardada
Uma campanha lançada para substituir parte do mobiliário do presbitério da igreja Matriz de São José da Lagoa, cartão-postal de Nova Era, virou polêmica na cidade. A Prefeitura acompanha o caso e aguarda resposta de ofício enviado ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), órgão responsável pelo tombamento do imóvel. A contenda no município chegou à coluna do jornalista Ancelmo Gois, do jornal O Globo.
A intitulada “campanha dos devotos de São José” arrecada dinheiro para substituir a mesa do altar, o ambão – móvel usado para cantar ou ler as escrituras – e a sédia, isto é, a cadeira onde o sacerdote conduz a celebração. “Vamos deixar nossa igreja-mãe ainda mais bela, com o conjunto estético no seu estilo de construção”, cita a peça divulgada nas redes sociais da paróquia, com os dados da conta bancária para doações.
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A mobilização não uniu gregos e troianos. Nas redes sociais é compartilhado um movimento contrário à campanha: “Não aceitaremos intervenções em nosso bem patrimonial”, exclama a publicação feita por um servidor público no Instagram. Uma mulher comentou abaixo: “Em patrimônio histórico não se mexe”. “Patrimônio histórico… será que não conhecem as regras?”, menciona outra postagem.
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Nessa quarta-feira, 19, o pároco Elvis José Corrêa publicou nota de esclarecimento nas páginas da comunidade, diante do que entende serem “interpretações equivocadas” sobre a campanha. Padre Elvis explica que sua intenção é substituir as peças “que não fazem parte do tombamento”, são provisórias e “não comungam com as obras de Vieira Servas [escultor português], causando um ruído na arquitetura da igreja”.
A DeFato, o sacerdote comentou que no disse-me-disse surgiram comentários de que ele quer demolir o altar-mor do templo. A confusão teria ganhado terreno com a falta de diálogo. “É uma questão de interpretação. A campanha está clara. (…) A ideia é um mobiliário que orne com a arquitetura da igreja, barroca. Quem fez o movimento [contrário] poderia ter me procurado e conversado antes”, expressou padre Elvis, por telefone.
De toda forma, o pároco, que assumiu o posto há seis meses, afirma que já requereu informações ao Iphan, para que não reste dúvidas sobre a legalidade da substituição dos móveis. “São mobiliários provisórios. O ambão, inclusive foi feito em 2017”, acrescentou. O Departamento de Cultura e Turismo de Nova Era informou que também oficiou o órgão federal sobre o episódio. O retorno é aguardado.
A igreja
Segundo inventário do Iphan, a Igreja Matriz de São José da Lagoa remonta ao século XVIII, com estrutura marcada pela transição do estilo dom João V para o Rococó. Há identificação com a obra do artista português Francisco Vieira Servas. Na capela-mor, a pintura arquitetônica traz ao centro “A Ressurreição de Cristo”.
Nos anais do órgão, a igreja é bem integrante do Conjunto Arquitetônico e Paisagístico da Praça da Matriz e do Prédio do Museu de Arte e História, e foi tombada em março de 1953. O conjunto, por sua vez, teve tombamento anotado em dezembro de 1973.




