Campanha pelo fim da violência contra a mulher começa em Itabira
Em seu quarto ano de campanha, a Comissão de Enfrentamento à Violência Doméstica e Sexual de Itabira, formada pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), Ministério Público, polícias Civil e Militar, Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, Legislativo e Prefeitura, realiza a campanha “16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra a Mulher”. […]

Em seu quarto ano de campanha, a Comissão de Enfrentamento à Violência Doméstica e Sexual de Itabira, formada pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), Ministério Público, polícias Civil e Militar, Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, Legislativo e Prefeitura, realiza a campanha “16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra a Mulher”. A abertura oficial da programação ocorreu nesta segunda-feira, 26 de novembro.
A semana se inicia na data em que é lembrado o Dia da Não Violência Contra a Mulher e se estende até 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos.
Uma das palestrantes do evento foi a médica Paula Veloso, vítima de graves agressões domésticas neste ano por parte do seu ex-marido. “A gente nunca acha que vai acontecer. Antes disso eu nem ouvia falar direito de violência doméstica, mas eu fui vítima e agora pretendo passar esse recado pra todo mundo”, disse.

Paula, que foi mantida em cárcere privado, tem um projeto chamado “Colheres de Ouro”, que remete à expressão “Em briga de marido e mulher ninguém mete a colher”. A médica conta que cinco vizinhos, ao escutarem os gritos de socorro, denunciaram à polícia as agressões, mas a viatura não compareceu à residência do casal, alegando que estavam atendendo em outra urgência.
“Minha família que me socorreu. Apareceram com a polícia na manhã após a denúncia e me tiraram de lá, mas esses vizinhos tentaram agir como ‘colheres’. Hoje meu ex-marido está solto. Tenho medida protetiva contra ele e estamos aguardando o julgamento”, contou.
A vice-prefeita de Itabira, Dalma Barcelos, ressaltou a importância de mulheres que acabaram se tornando mártires para que hoje a classe feminina pudesse lutar e garantir direitos.

A delegada titular da Delegacia de Mulheres de Itabira, Amanda Machado, lembrou que algumas das reivindicações em prol da segurança da mulher já foram atendidas pelo município, como o grupo de acompanhamento de agressores e parada segura, que é o acionamento de mulheres em circulares em qualquer ponto que ela se sinta segura.
“Lavrar atos de prisão e delito por si só não finda a violência de gênero contra a mulher, infelizmente. É preciso um trabalho em rede, articulado com serviço de saúde, psicologia, assistência social, com as escolas, conselho tutelar, judiciário, enfim, com todos os entes que lidam com a violência. Juntos, de mãos dadas, somos muito maiores”, diz.