Como as emoções afetam nossas escolhas alimentares

Nossa tendência em optar por alimentos que estejam associados ao prazer, ao afeto, alimentos que preencham aquela determinada necessidade emocional

Como as emoções afetam nossas escolhas alimentares
Terapeuta do Emagrecimento fala sobre o tema e dá dicas para comermos com mais consciência

Você sabia que a sua alimentação pode estar sendo afetada pelos seus sentimentos? E que, talvez, esses sentimentos – estresse, ansiedade, depressão – estejam dificultando hábitos mais saudáveis e até a perda de peso?

Segundo a psicóloga clínica, especialista em saúde focada em emagrecimento, nutrição emocional e comportamental, Dra. Daiana Peixé, nossas emoções afetam nossas escolhas porque o ser humano é guiado por duas forças: a busca pelo prazer e o medo da dor.

A consequência disso, é nossa tendência em optar por alimentos que estejam associados ao prazer, ao afeto, alimentos que preencham aquela determinada necessidade emocional, e se não estivermos atentos, isso pode causar não só o ganho de peso como também outros problemas relacionados a má alimentação.

“É por isso que as nossas emoções afetam tanto as nossas escolhas, inclusive alimentares. Se não estamos bem emocionalmente, automaticamente vamos buscar alternativas que ajudem a melhorar aquela situação, e na grande maioria das vezes a opção escolhida é por um prazer imediato, que não é tão saudável”, avalia a terapeuta Dra. Daiana Peixé.

Vamos usar aqui o seguinte exemplo: Você chega em casa após um dia cansativo de trabalho e pede uma pizza. Automaticamente, seu cérebro associa esse ato a algo bom, como uma “recompensa”, sendo assim, da próxima vez que você chegar em casa cansado, sua mente pedirá automaticamente por aquela recompensa.

De acordo com a Dra. Daiana, são essas escolhas emocionais que acabam fazendo com que a pessoa entre em um ciclo vicioso de dopamina e serotonina, atrelando imediatamente aquele alimento ao prazer. “Isto acontece porque quando pensamos em determinado alimento, seja ele doce ou fritura (nossas escolhas mais comuns), temos uma descarga da dopamina, que é o prazer imediato, seguido de uma descarga de serotonina, que é o prazer de recompensa”, explica.

E por que o nosso cérebro entende isso como “recompensa”? Simples. Ao escolher a pizza, para compensar – mesmo que inconscientemente – a dor e o cansaço, e ainda ter o prazer imediato ao saborear, você acaba criando um hábito. Ou seja, automaticamente o seu cérebro vai atrelar a pizza a uma “recompensa” quando seus dias forem cansativos. Isso serve para explicar aquele seu desejo enorme por alimentos ricos em açúcar e fritura.

“É por causa desse ciclo de recompensa que as pessoas criam hábitos de comer um doce após o almoço, um chocolate quando se sentem tristes, uma coxinha para aliviar o estresse. É graças a este “prazer” que o nosso cérebro cria uma imagem e associa aquilo a algo bom. O grande problema, ocorre quando temos a queda da dopamina, pois, esse ciclo inicia novamente, tornando algo incontrolável”, diz a Dra. Daiana Peixé.

Se você está com tal problema, a primeira coisa a ser feita para melhorar este cenário, é identificar a situação pela qual você está buscando aquele alimento, se é por necessidade física ou se é emocional. Isto feito, é preciso desenvolver novos hábitos, os quais vão ter o mesmo efeito de prazer causado pelo ciclo de dopamina e serotonina. Caso você venha a ter muita dificuldade, o aconselhado é procurar ajuda de um especialista.

“É importante ter consciência quando você sente fome, parar e se perguntar se você está realmente sentindo aquilo. Se a resposta for sim, tente analisar se é uma fome “física”, que precisa ser saciada para nutrir o seu corpo, ou se é fome “emocional”, aquela que você nutre a sua alma. Nem sempre é fácil ter essa consciência, muitas vezes precisamos de ajuda, e o ideal é sempre procurar um especialista para te orientar”, finaliza Daiana.

8 passos para você criar novos hábitos alimentares

  1. Decida qual ciclo você prefere seguir: o do prazer da comida ou da vida saudável;
  2. Tenha consciência sobre sua fome emocional; avalie o ato, mostrando os ganhos imediatos e secundários de cada decisão;
  3. Faça substituições saudáveis.
  4. Aprenda a mudar sua relação com o alimento que o fez entrar nesse ciclo.
  5. Ria! Rir ajuda a aumentar os níveis de dopamina. Veja filmes de comedia, se divirta mais.
  6. Treine sua consciência alimentar.
  7. Visualize sempre as recompensas imediatas e tardias de suas escolhas.
  8. Se não estiver conseguindo, procure ajuda.