Pintando a vida
O arteterapeuta retornou a Itabira com o objetivo de disseminar a arteterapia na cidade

Quando se fala em terapia, a primeira coisa que vem à cabeça é alguém deitado em um divã e um analista com um bloquinho de anotações. Pare agora para imaginar uma sessão de terapia em que o paciente usa fotos, colagens, música, tintas e imagens como discurso e objeto de análise. A arteterapia funciona assim: a arte dá voz ao que se passa no interior de cada um.
A arteterapia é o uso da arte como base de um processo terapêutico, que propicia resultados em um breve espaço de tempo. Visa estimular o crescimento interior, abrir novos horizontes e ampliar a consciência do indivíduo sobre si e sobre a existência. O itabirano Marcelo Adão dos Santos, 30 anos, graduado em artes plásticas e pós-graduado em arteterapia, após uma estadia em Belo Horizonte, está de volta à sua terra natal, com o objetivo de disseminar a arteterapia na cidade.
Por meio do uso terapêutico da atividade artística, o profissional fará com que as pessoas busquem o desenvolvimento pessoal, ajudando aqueles que possuem alguma doença, ou viveram traumas, dificuldades na vida a se reconciliar com seus conflitos emocionais e a se autoconhecer.
Marcelo começou a trabalhar com a arteterapia no final da sua graduação, quando, em Belo Horizonte, estagiou em uma clínica psiquiátrica, realizando trabalhos com oficina de pintura e desenho. No local, tomou contato mais direto com essa forma de tratamento auxiliar. Após a experiência, continuou trabalhando na clínica e também com idosos.
O trabalho
O processo arteterapêutico pode ser praticado com pessoas de todas as idades, que desejam desenvolver sua sensibilidade e o conhecimento sobre si mesma. É aplicada na avaliação, no tratamento, na prevenção, reabilitação e educação dos clientes. Tem sido utilizado em hospitais, clínicas, institutos, escolas, empresas, comunidades em diferentes especialidades.
Auxilia no tratamento de idosos com Alzheimer, em várias doenças degenerativas, crianças com dificuldades de aprendizado, autistas, adolescentes com bloqueios emocionais e adultos que queiram reencontrar sua criança interior.
“Sempre acreditei que a arte tinha esse potencial terapêutico. Sinto-me muito satisfeito, primeiro pelo resultado que vejo em mim, de trazer um bem-estar muito grande. Quando vejo que posso levar isto às pessoas e aquelas que são mais necessitadas, que estão em estágios de doença, com grandes dificuldades, sei que tenho uma grande responsabilidade que é preciso ser feito com ética, um compromisso”,
O arteterapeuta conta que trabalhou com um idoso que tinha problema motor nas mãos, decorrente de um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Por meio da arterapia foi feito um trabalho de reabilitação física. “Ele queria, por exemplo, conseguir fazer uma linha reta. Fizemos trabalhos com pinturas geométricas, até que conseguisse alcançar seu objetivo. Para ele, isso trazia um bem-estar emocional, porque via que tinha capacidade de fazer algo que antes parecia perdido e pela arte ele provava isso”.
Também com experiência em desenvolver o trabalho em pessoas com Alzheimer, relata que se consegue amenizar os efeitos e o aspecto depressivo da doença. “Pela arte dá-se à pessoa um tipo de ordenamento, que é o que ela perdeu na prática cotidiana. Ela aprende a cortar, selecionar, colar e com aquilo consegue reconstruir o seu mundo”.
Marcelo explica que, para fazer a arteterapia, o paciente também pode ser encaminhado por um médico, psicólogo ou terapeuta ocupacional. “A arteterapia é um tratamento auxiliar. Não se pode trabalhar sozinho. Exige essa multidisciplinaridade”. Os trabalhos podem ser desenvolvidos em grupo ou individualmente, dependendo do problema.
O arteterapeuta trabalha por meio de estudo de técnicas artísticas. Após o desenvolvimento, há uma discussão com o paciente sobre a contextualização do que ele fez. “Não nos cabe dizer ao cliente como agir, mas cabe-nos a tarefa de observar cuidadosamente cada um e, sutilmente, sugerir esse ou aquele caminho. O sujeito que cria, tem no trabalho criado, um espelho do seu eu. Muitos conteúdos psíquicos e emocionais reprimidos podem ser expressos por meio da linguagem artística, sem juízos morais e estéticos”.
O artista plástico passou pelo processo com um arterapeuta, para conhecer melhor o trabalho, seu desenvolvimento e resultados.
Marcelo ainda atende em domicílio, a pacientes que apresentam dificuldade de locomoção e também desenvolverá o trabalho em seu ateliê a partir de março.
Trata-se de um convite ao autoconhecimento na prática de um caminho lúdico, criativo e prazeroso.
Contato:
Marcelo Adão dos Santos
Celular: 9233-1872





