Glaucoma, fique de olho
Dr. Márcio: doença pode permanecer sem sintomas até fases bem avançadas

Ainda hoje é grande o desconhecimento da população sobre as doenças que mais a afligem. Muitos de nós somos portadores de hipertensão arterial, por exemplo, e não sabemos suas causas, suas consequências ou o que poderíamos fazer para evitá-la. O mesmo acontece com a Diabetes, com várias formas de câncer e tantas outras condições que nos ameaçam a saúde e a vida. Se soubéssemos um pouco mais sobre o que de fato ocorre em nosso organismo, poderíamos usar este conhecimento como um grande aliado na prevenção e no tratamento de muitas desordens orgânicas que colocam nosso bem-estar em risco.
No campo da Oftalmologia isso também é muito comum. Acredito que a palavra glaucoma já é conhecida de muitos, porém a falta de informação contribui para que essa doença seja a segunda maior causa de cegueira no mundo. No Brasil, estima-se que haja em torno de um milhão de pacientes glaucomatosos. A forma mais comum, denominada glaucoma crônico de ângulo aberto, tem uma incidência de 1% a 2 % na população geral, aumentando após os quarenta anos, podendo chegar a 7 % após os setenta anos de idade. Uma parcela desses pacientes, infelizmente, perderá a visão e isso pode ser evitado com um pouco de informação. É importante salientar que o glaucoma pode permanecer sem sintomas até fases bem avançadas e as alterações iniciais só são detectadas através de exames específicos.
Tecnicamente, o glaucoma é uma neuropatia óptica crônica, multifatorial, progressiva e irreversível, caracterizada por alterações do nervo óptico e camada de fibras nervosas da retina, que culmina com a perda de campo visual e tem, no aumento da pressão intra-ocular, o seu principal fator de risco. Traduzindo, no fundo do nosso olho há uma estrutura chamada nervo óptico que transmite ao cérebro os estímulos visuais para que possam ser interpretados e transformados em imagem. Quando a pressão dentro do olho se eleva, esse nervo começa a ser destruído e a visão vai se perdendo.

Mas por que a pressão do olho sobe? Nosso olho produz continuamente um líquido chamado humor aquoso que, após circular por caminhos específicos e levar nutrientes para as estruturas intra-oculares, penetra num conjunto de canais chamados rede trabecular e sai do olho. Em muitos casos, essa rede tem uma resistência aumentada ao livre escoamento do líquido que passa então a exercer maior pressão interna o que danifica o nervo óptico.
Apesar de haver outros fatores que aceleram a progressão da doença, o tratamento atual visa à redução da pressão intra-ocular a um nível tal que evite o surgimento ou o aumento dos defeitos de campo visual e preserve a estrutura do nervo óptico. Na maioria das vezes conseguimos isso de forma muito simples com o uso regular de colírios. Mais raramente são necessários procedimentos invasivos, como a aplicação de laser e cirurgia.
Como prevenção, é fundamental que se visite o Oftalmologista regularmente – principalmente os maiores de quarenta anos, os parentes próximos de portadores de glaucoma, os indivíduos de cor negra (pois nestes a doença é mais agressiva), e aqueles que têm qualquer outra doença ocular prévia. Durante a consulta serão avaliadas a pressão intra-ocular e o aspecto do nervo óptico. Se estiverem alterados, alguns exames complementares, como a campimetria computadorizada, a curva diária de pressão, a gonioscopia e a paquimetria, poderão ser realizados para confirmação e classificação da doença. Todos são exames rápidos, indolores e disponíveis em nossa cidade. Confirmando-se o glaucoma, o tratamento será iniciado e o paciente será acompanhado regularmente afim de se garantir a estabilidade da doença.
Portanto, procure seu Oftalmologista para que ele possa lhe dar mais informações e realizar os procedimentos necessários para diagnosticar precocemente o glaucoma. Dessa forma estaremos preservando a visão, esse dom tão maravilhoso e divino, do qual dependemos tanto e que nos permite perceber as coisas mais lindas da vida.





