Saúde é projeto

Secretário defende a inclusão de Itabira na região metropolitana de Belo Horizonte

Saúde é projeto
O  secretário estadual de Saúde, Antônio Jorge de Souza Marques, tem sido presença constante em Itabira. Se a solenidade é de inauguração ou de assinatura de convênio que tem algum recurso estadual envolvido, ele está lá ao lado do prefeito Damon Lázaro de Sena.
 
O alinhamento político começou ainda na campanha, no ano passado. Em vários programas eleitorais, Antônio Jorge apareceu para manifestar seu apoio ao colega de profissão (além de político, o secretário também é graduado em Medicina, assim como Damon).
 
Diversos convênios estaduais foram assinados com Itabira neste ano, todos visando à transferência de significativos aportes financeiros. O último foi firmado com a Apae, no dia 9 de novembro, para o início da construção de um centro de convivência. Na ocasião, o Estado repassou à entidade R$ 250 mil.
 
Antônio Jorge estava lá e concedeu, após a solenidade e os cumprimentos, uma entrevista a DeFato. Entre outros assuntos, elogiou a gestão de Damon, defendeu o projeto do Samu Regional, falou sobre integrar Itabira à região metropolitana de Belo Horizonte e criticou o programa Mais Médicos, do Governo Federal. O secretário também afirmou que pretende disputar uma vaga na Assembleia Legislativa para continuar defendendo o projeto de governo iniciado pelo PSDB em 2003.
 
Graduado pela Universidade Federal de Juiz de Fora, Antônio Jorge é psiquiatra clínico. Entre os importantes cargos que ocupou ao longo da carreira estão o de consultor do Ministério da Saúde, assessor da Secretaria de Estado de Saúde, vereador de Juiz de Fora e professor da Fundação Getúlio Vargas. Além de secretário, também é vice-presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde e doutorando do Programa em Saúde da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Juiz de Fora.
 
Em um de seus discursos, o senhor disse que a falta de projetos preocupa mais que a de recursos. Como avalia a situação de Itabira?

Os recursos sempre aparecem quando existem bons projetos. No caso de Itabira, a cidade tem mostrado capacidade de gerir bons projetos. Não é por outro motivo que Itabira tem recebido importantes investimentos do Governo do Estado.  O primeiro ano de um governo é sempre difícil. A União repassa muitas obrigações aos estados e municípios, e a despeito dessas dificuldades, o prefeito Damon tem conseguido alavancar muitos projetos. Inauguramos uma casa de apoio à gestante, conseguimos trazer veículos para a saúde, estamos apoiando a ampliação da Apae, principalmente com o centro de convivência. São muitos projetos que estão em desenvolvimento aqui. A região metropolitana [de Belo Horizonte] vai ser ampliada e incluirá Itabira, o que possibilitará novos projetos. Isso é importante para o desenvolvimento local. É uma iniciativa do prefeito, apoiada por nós também. Existem muitas ações para além da área da saúde. A saúde é minha pasta e tenho mais facilidade de divulgar valores em relação ao trabalho da equipe de Damon, mas realmente salta aos olhos que temos hoje aqui uma Prefeitura dirigente, competente, sem pressa, com harmonia, colocando os projetos certos na hora certa.
 
O senhor falou da inclusão de Itabira na região metropolitana da capital. Qual a importância disso?
Existem muitos programas estaduais e federais de recursos para as regiões metropolitanas. Principalmente recursos para a área viária, meio ambiente, aterro sanitário e outros. O Governo do Estado está inovando nesta área e fazendo uma licitação e registro de preço para aterros sanitários e vai pagar a maior parte dessa despesa para o munícipio. É uma coisa inovadora do Brasil. Pela primeira vez o Estado assume uma despesa importante na área ambiental, na área de resíduos, que antes era apenas do município – mas farão parte deste programa apenas os municípios da região metropolitana. A exemplo desse e de vários outros programas, a inclusão de Itabira como região metropolitana acaba trazendo facilidade e novas possibilidades de recursos federais e estaduais. 
 
Como foi o alinhamento do município com o Estado no credenciamento de Itabira ao SUS para oferecer tratamento contra o câncer?
Foi mais um projeto que só teve consequência a partir da gestão do Damon. Temos um grande centro de saúde em Itabira, com profissionais qualificados, e já existia esse serviço a nível privado. Provavelmente a partir de dezembro, os pacientes que hoje têm que ir a Belo Horizonte buscar tratamento oncológico pelo SUS vão passar a ter esse tratamento em Itabira. O Hospital Nossa Senhora das Dores assume o compromisso com o SUS de, assim que credenciarmos a oncologia, na etapa da cirurgia oncológica e da quimioterapia, iniciar a construção da estrutura para sediar um aparelho de radioterapia. No prazo máximo de 24 meses teremos aqui toda a integralidade do tratamento do câncer. Tem que ficar claro que é um benefício não apenas para quem reside na cidade, mas para toda a região.
 
Como anda o projeto de centralização do Serviço Móvel de Atendimento de Urgência (Samu)?
O Samu Regional é uma peça de uma grande engrenagem que é a Rede de Urgência e Emergência. Essa rede pressupõe a integração de todos os pontos. Estamos criando salas de estabilização, apoiando a viabilização de algumas UPAs e o Samu é um elemento fundamental, porque ele liga todos esses pontos e, mais que um componente de logística, é o controle médico. Hoje é um problema, porque os pontos são fragmentados e isolados e muitas vezes o profissional acaba indicando um paciente, ou mesmo a família leva o paciente a um ponto mais perto, que muitas vezes não é o adequado para o atendimento de uma situação de urgência. Com a regulação do Samu, passamos a ter um único complexo regulatório médico e essa regulação, mais do que facilitar o acesso através das ambulâncias e organização logística, funcionará como uma indicação médica do encaminhamento. Ela vai fazer uma diligência em relação ao caso clínico relatado, do melhor ponto de atenção, da melhor perspectiva de rede, e isso se transforma em resultado. Então é toda uma engrenagem, não apenas o Samu. O Samu é fundamental para esses dois aspectos: logístico e regulatório. A obra da central está acontecendo, na Avenida Amazonas, em Belo Horizonte, e está muito avançada. Será responsável por quase 6 milhões de vidas, ligando os grandes hospitais aos hospitais regionais.
 
Por que a população tem receio de que a mudança prejudique o atendimento? Falta informação?
Se falta informação, a responsabilidade é nossa. Vou conversar mais com os conselhos de saúde, ir às Câmaras Municipais explicar o projeto. Já fiz isso várias vezes. O projeto é muito audacioso, implica em recursos adicionais expressivos para os hospitais, o que ajuda a manter as tabelas de UTI, que passam a ser diferenciadas. O hospital passa a receber recursos adicionais, a atenção primária passa a fazer parte dessa rede e o Samu atende a toda a região. No caso de Itabira, vamos manter o número de ambulâncias. Não há prejuízos de parâmetros. A região toda passa a ter atendimento qualificado. Se há dúvida – e eu não sabia que aqui havia dúvidas por parte da sociedade – é preciso ser superada. É preciso sentar com o Legislativo, porque ele tem importante função. Já implantamos esse projeto em várias regiões e, em todas, os resultados foram muito saudáveis.
 
Os serviços voluntários de resgate podem ser integrados a essa nova modalidade?
Acredito que sim. Hoje o importante é haver uma regulação. O serviço voluntário, por mais que seja importante, precisa estar atrelado a essa visão médica da regulação de quem deve ser atendido e onde deve ser atendido. Conseguimos passar essa tradição para o Corpo de Bombeiros. Eles têm uma tradição de resgate, mas se submetem à regulação médica. Se uma pessoa cai de uma moto e tem uma pequena torção, não necessariamente tem de ir ao hospital. Essa regulação é feita por uma equipe médica, tem a descrição do caso, em que a viatura avançada vai lá com o médico e olha a situação. Os voluntários normalmente pegam na rua e levam para o hospital. É uma agenda que precisamos construir, não há nenhuma incongruência, mas é preciso ter um alinhamento conceitual. É preciso haver uma subordinação desses resgates ao controle médico.
 
O que o senhor acha do Programa Mais Médicos?
Mais do que o programa, os debates em torno dele foram muito equivocados. O programa ganhou uma aceitação popular e eu vejo, no Governo Federal, intencionalidade de uma exploração política muito grande. Está sendo construído um debate com meias verdades. Ninguém é contra ter mais médicos, mas eu, particularmente, como gestor da saúde, sou contra que se tenha essa perspectiva de programa que aloca profissionais médicos de forma precária, com tempo definido para entrar e sair. Isso não é solução estruturante para os problemas da saúde. Precisamos de mais saúde, enfermeiros, laboratórios, exames, gestão.  É verdade que precisamos de mais médicos, mas é verdade também que, ao transformar isso num toque de mágica para resolver todos os problemas, é enganar a população. Acho que há uma grande exploração política pelo volume das propagandas. Imagino que se está gastando muito mais com propaganda do que com salário dos profissionais. É preciso dar condições de trabalho aos médicos, principalmente na carreira pública. Nem este Governo Federal, nem os que antecederam conseguiram avançar naquilo que é um pressuposto, que é a construção da carreira pública no SUS. Temos pesquisas no Observatório de Recursos Humanos da UFMG que mostram a perspectiva dos médicos para além da questão salarial. Um médico jovem só vai para o interior se ele tiver segurança de que terá uma carreira para cuidar de seus filhos, que terá progressão profissional.
 
O senhor tem visitado bastante Itabira e há informações de que será candidato a deputado. Verdade?
Já fui vereador na minha vida pública, em Juiz de Fora. Sou psiquiatra clínico e tenho, desde a formatura, uma identidade com o trabalho público, com a área de gestão. Ao longo desses anos, a gestão me levou de volta à área pública, ao debate político. Por mais que gestão seja um espaço técnico – no meu caso, de confiança do governador –, é óbvio que estou também defendendo um projeto de governo, um projeto para a sociedade. Esse ciclo de governo, que se iniciou em 2003 e vem propondo uma revolução silenciosa nos paradigmas de governar, é um projeto político que trouxe em todas as áreas da vida mineira indicadores muito salutares. Se é verdade que ainda tem muito que fazer, esse governo, em todas as áreas, fez avançar muito. Faço parte desse projeto, defendo esse projeto, e, acima de tudo, sou um servidor público. Acho que minha próxima função como e defensor desse projeto pode ser na Assembleia Legislativa. É bem provável que eu me desincompatibilize, assim como outros companheiros de governo, para uma vaga na Assembleia. É um nome a mais para a sociedade. 

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