Audiência pública expõe preocupação sobre atendimento aos planos de saúde
Muita gente compareceu à audiência para discutir a situação do atendimento hospitalar em Itabira

Na noite dessa terça-feira, 27 de maio, aconteceu no plenário da Câmara Municipal a audiência pública para discutir o atendimento hospitalar em Itabira. A preocupação é com os clientes de plano de saúde, já que, por determinação judicial, o Hospital Carlos Chagas (HCC) será exclusivamente destinado a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Com muita participação popular, diversos questionamentos e esclarecimentos foram dados, no entanto nenhuma proposta concreta foi apresentada pelos participantes.
Compuseram a mesa os vereadores Geraldo Torrinha, Rodrigo Diguerê, Tãozinho Leite e José Luiz Ferreira “Batatinha”, além do secretário municipal de Saúde, Reynaldo Damasceno, e o promotor de Justiça do Ministério Público, Mateus Fernandes. Outros vereadores estiveram na audiência, além do diretor técnico do Hospital Carlos Chagas (HCC), Gastão de Magalhães; do provedor do Hospital Nossa Senhora das Dores (HNSD), Vaquimar Vaz; e representantes dos planos de saúde Unimed, Pasa/EMS. O subsecretário de Estado de Saúde, Thiago Lucas Silva, também acompanhou o debate na Câmara.
O promotor Mateus Fernandes explicou, após vários questionamentos, que a decisão do atendimento 100% pelo SUS no HCC é judicial, ratificada pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais, e não há mais como mudar. “É um trem que já saiu da estação. Agora precisamos definir como esse trem vai chegar”, comparou.
O diretor-presidente da Unimed Itabira, Márcio Cury, afirmou que a empresa tem a pretensão de construir seu hospital. No entanto, de acordo com ele, a construção é demorada, citando como exemplo Poços de Caldas, que demorou 10 anos para a construção do hospital da Unimed. “Nesse primeiro momento temos que pensar em parcerias para conseguir agilizar o processo de construção. Temos um projeto em vias de aprovação na Prefeitura desde o segundo semestre de 2012, mas até hoje não foi aprovado, e não sabemos o porquê”, argumentou.
Já o representante do Pasa/EMS explicou que o plano possui uma clínica para atendimento de aposentados e que pretendem ampliá-la para atender a todos assistidos pelo plano. No entanto, a ação só supriria parte da lacuna dos atendimentos ambulatoriais, excluindo internações e pronto-atendimento. Além disso, destacou que não há ações de curto prazo que possam suprir a demanda que será criada com a alteração.
O provedor do HNSD explicou que atender 100% da demanda é impossível, mas que o hospital está preparado para a mudança. Ele destacou que o HNSD vai continuar a atender os planos de saúde. “75% do nosso atendimento é SUS. Por sermos uma instituição filantrópica, temos que atender no mínimo 60% pelo SUS. Então acredito que os leitos de planos de saúde que se fecharão no HCC se abrirão no HNSD”, disse.
Por fim, o diretor técnico do HCC, Gastão de Magalhães, pediu um tempo para que se adaptem às mudanças, e exclamou que em momento algum a sociedade civil foi consultada pelo Executivo ou pelo secretário de Saúde a respeito da alteração no atendimento.
Com vários questionamentos de populares, a audiência seguiu sem definições de ações a serem tomadas. Uma reunião deverá ser agendada com representantes dos planos de saúde, hospitais, conselho de saúde, Ministério Público e membros do poder público.





