Coisa de homem também
Hudson Wagner dos Santos, 49 anos, nem sabia que homem também pode ser vítima da doença

O vigia Hudson Wagner dos Santos, 49 anos, nascido e criado em Itabira, faz parte de uma estatística que não preocupa muito as autoridades de saúde, mas deveria preocupar. Diagnosticado com câncer de mama há cerca de dois meses, Hudson nem sabia que a doença vitimava homens. Como geralmente se fala com mais frequência em câncer de mama nas mulheres, quando ele descobriu o caroço no lado esquerdo do peito, há cerca de dois anos, pensou que fosse um furúnculo e nem se preocupou em procurar um médico.
Hudson ficou esperando o caroço desaparecer até que se esqueceu dele. De vez em quando, ia ao consultório fazer uma revisão, mas não se lembrava de falar do nódulo. No dia 7 de junho deste ano, o vigia foi ao Hospital Carlos Chagas, em Itabira, fazer uma consulta simples e acabou descobrindo algo que não imaginava. Quando o médico colocou o estetoscópio em seu peito, esbarrou, sem querer, na saliência e foi logo percebendo que não se tratava de um furúnculo. O doutor foi direto ao ponto: disse que as chances de o nódulo ser um câncer eram grandes.
Ainda sem acreditar, Hudson foi para casa pensativo e, na semana seguinte, procurou o mastologista Danilo Costa, referência em tratamento da doença em Itabira. Após os exames, a constatação: ele estava mesmo com câncer de mama. No mês seguinte, Hudson foi submetido a uma mastectomia, cirurgia para retirada total do órgão afetado. O procedimento foi realizado em Itabira, por meio de convênio médico, e desde então ele vem dando sequência ao tratamento.
O caso do vigia da Itaurb serve como alerta. Por se tratar de uma doença rara, faltam informações e campanhas educativas sobre prevenção, segundo os médicos. Boa parte dos homens nem sabe que existe câncer de mama masculino, como o caso de Hudson. “Como não doía nem me incomodava, não esquentava a cabeça”, conta ele.
O mastologista Danilo Costa, responsável pelo tratamento, afirma que esse foi o primeiro caso de câncer de mama em homem diagnosticado e tratado em Itabira. O médico disse ainda que o paciente está “cirurgicamente curado”, apesar do diagnóstico tardio, mas vê com preocupação a falta de informações a respeito da doença no país. “Normalmente são casos muito agressivos, devido ao fato de não haver rotina de mamografia para pessoas do sexo masculino. Homem também é um tanto quanto relapso no que se refere à busca por lesões mamárias. Investiga-se muito próstata e outros órgãos, mas não se procura câncer de mama. Então, quando a gente faz o diagnóstico, geralmente é um caso avançado”, explica o médico.
Prevenção
Segundo Danilo, os homens, assim como as mulheres, podem e devem examinar cotidianamente as mamas em busca de qualquer alteração. Caso descubra alguma nodulação suspeita, o mastologista deve ser procurado o quanto antes. “Tem gente que acha que mastologista é médico só de mulher. Não é verdade”, comenta. O que para o homem passa despercebido por ser um carocinho indolor na auréola (região em volta do mamilo) pode ser o início de um tumor.
Segundo especialistas, a doença aparece com mais frequência em homens com mais de 40 anos – principalmente fumantes. Mesmo que haja poucos casos registrados no Brasil, doutor Danilo defende a inserção, dentro do próprio Outubro Rosa, de campanhas de prevenção direcionada ao público masculino. Quanto mais informação, mais chance de o paciente descobrir a doença precocemente, alcançar a cura e continuar a vida normalmente. Assustado no início, Hudson agora conhece a doença. E no que depender dele, vai ajudar a disseminar informações para que outros homens não sejam pegos de surpresa como ele.
Sinais e sintomas
O câncer de mama atinge homens com menos incidência porque eles têm menos glândulas mamárias que as mulheres, segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia, doutor Carlos Alberto Ruiz. Em cada 100 casos em mulheres, existe pelo menos um homem com o diagnóstico da doença.
Apesar de ter pontos em comum com a doença que atinge as mulheres, como histórico familiar correspondente, no homem a doença está mais ligada a fatores hormonais e pode ser desenvolvida a partir de uma dieta rica em gorduras, cigarro ou excesso de álcool ingerido.
Os possíveis sinais de câncer de mama em homens incluem: protuberância ou inchaço, geralmente (mas nem sempre) indolor. Pele ondulada ou enrugada. Retração do mamilo. Vermelhidão ou descamação da pele da mama ou do mamilo. E inchaço nos linfonodos axilares.
Estas alterações não são sempre causadas pelo câncer. Por exemplo, a maioria dos nódulos de mama em homens é causada por ginecomastia. Portanto, em caso de qualquer alteração nas mamas, um médico precisa ser consultado imediatamente.
Tratamentos
A maioria das informações sobre o tratamento de câncer de mama em homens vem da experiência dos médicos com o tratamento da doença em mulheres. São eles: cirurgia, radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia e terapia alvo.
O tratamento pode ser local ou sistêmico. Na terapia local, o tumor é tratado localmente, sem afetar o resto do corpo, como a cirurgia e a radioterapia. Na terapia sistémica são utilizados medicações que podem ser administradas, por via oral ou via venosa na corrente sanguínea, para atingir as células cancerígenas em qualquer parte do corpo. A quimioterapia, hormonioterapia e a terapia alvo são terapias sistêmicas.
Fonte: SBM
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