Proprietário rural instala fossa econômica com orientação da Emater
Com o investimento de apenas R$350,00, Geraldo Charles adquiriu os materiais e fez a instalação do projeto

O ano de 2014 ficará marcado na história, principalmente no sudeste brasileiro, como o ano da falta de água. E neste momento de grande discussão sobre o tema, diversas iniciativas vêm sendo tomadas por governos, empresas e mesmo por proprietários rurais na busca de soluções para amenizar o problema da baixa quantidade e também da baixa qualidade dos recursos hídricos.
Em Itabira, uma ação que merece destaque é o uso da fossa séptica biodigestora, técnica econômica de tratamento do esgoto residencial desenvolvida pela Embrapa Instrumentação Agropecuária e que vem aos poucos sendo popularizada pelos órgãos de extensão rural, como a Emater-MG, com intuito de melhorar a qualidade da pouca água que ainda circula nos córregos da região. Recentemente, a equipe da Emater-MG de Itabira, composta pelos técnicos Mauro Lúcio Ferreira e Lucilene Pereira da Silva, orientou o proprietário rural Geraldo Charles de Almeida na implantação e manutenção deste modelo de fossa em sua residência, no povoado quilombola do Morro Santo Antônio.
Com o investimento de apenas R$350,00, Geraldo Charles adquiriu os materiais e, considerando os serviços manuais feitos por ele mesmo, está concluindo a instalação do projeto sem gastar um salário mínimo sequer. Comparando-se com o sistema de fossa séptica tradicional, cujo valor não sai por menos de R$2.000,00, é possível construir quase sete fossas econômicas. Outro aspecto que pesa em favor do modelo da Embrapa é o fato de dispensar a sucção do lodo por caminhões, pois o resíduo é decomposto dentro da fossa e não acumula.
A tecnologia
A Embrapa desenvolveu a fossa séptica biodigestora baseada no baixo custo dos equipamentos e na composição do esgoto do vaso sanitário, que é cerca de 99 % de água e 1% de material orgânico. Sendo assim, é recomendada a utilização de pelo menos três recipientes do tipo caixa dágua interligados e enterrados no solo, por onde o esgoto entra e fica acumulado permitindo a decomposição da matéria orgânica com a adição de microorganismos. Até no tipo de microorganismos utilizados a técnica inova: utiliza esterco de gado fresco e água, aplicados uma vez por mês direto na tubulação.
Algumas adaptações podem ser feitas. No caso de Itabira e em outras cidades como Caratinga, as caixas dágua são substituídas por “bombonas” plásticas de 220 litros, ressaltando-se que atendem a famílias de até 4 pessoas. A eficiência do tratamento foi comprovada pela empresa estatal de pesquisa por análises do líquido após a passagem pela fossa, mostrando grande redução na matéria orgânica e eliminação de parasitas, permitindo que seja infiltrado no solo ou mesmo usado na irrigação de plantas como pomares e pastagens.





