Secretário demonstra preocupação com escalas da maternidade do HNSD
Secretário de Saúde falou com preocupação sobre a maternidade de Itabira

Após divulgação de DeFato Online do caso de uma mulher que precisou sair de Itabira para ter o filho em João Monlevade, o secretário municipal de Saúde, Reynaldo Damasceno, foi questionado, durante audiência pública nessa segunda-feira, 24 de agosto, sobre os motivos que levaram a esse acontecimento. O representante da Administração Municipal não escondeu a preocupação com a situação da maternidade do Hospital Nossa Senhora das Dores (HNSD) e depois, em entrevista à imprensa, falou que o cenário pode ficar ainda mais complicado com a implantação do atendimento 100% SUS no Carlos Chagas.
O caso relatado por DeFato Online aconteceu no dia 9 de agosto, Dia dos Pais. Ana Paula Carvalho Domingues, 26 anos, chegou ao HNSD em trabalho de parto e foi informada de que não haveria obstetra de plantão. Ela, então, foi para João Monlevade, onde poucos minutos depois deu à luz a um menino. No mesmo dia, outras duas mães precisaram fazer o mesmo caminho.
Durante a audiência pública, Reynaldo Damasceno afirmou que a situação da maternidade é preocupante e que até o Ministério Público já foi acionado. Segundo ele, uma investigação interna está sendo feita no Hospital Nossa Senhora das Dores para apurar o que aconteceu no dia 9 de agosto. O secretário adiantou que um profissional que deveria pegar o plantão não apareceu para trabalhar e a outra, que estaria largando serviço, não permaneceu na unidade de saúde. “De 9h às 13h, nós tivemos interrupção, nenhum dos dois profissionais médicos que a gente paga estavam presentes”, afirmou.
Apesar de tratar o dia 9 como um ponto fora da curva, “algo que nunca tinha acontecido”, Reynaldo não esconde que o cenário não é bom. De acordo com ele, há resistência dos médicos em montar a escala. “Fizemos uma reunião com a equipe médica da obstetrícia e de pediatria logo em seguida do ocorrido, na terça-feira à noite (11). Os responsáveis estão buscando novos profissionais para inclusão na escala. Foi chamado todo corpo clínico do hospital na especialidade de obstetrícia para suprir essa necessidade dos finais de semana, que é a nossa maior preocupação”, comentou o secretário de Saúde de Itabira.
Reynaldo disse ainda que o mês de agosto estava com a escala fechada – com interferência do Ministério Público –, mas há uma falha no próximo sábado, 29. É que o plantonista escalado vai casar e outro profissional que poderia ocupar a vaga é padrinho da cerimônia. “Além de toda dificuldade que já temos, ainda tem isso. É normal. É uma especialidade que está em falta não só em toda região, mas em todo estado”, lamentou. “Acreditamos que a equipe do Hospital Nossa Senhora das Dores vai se organizar para não deixar que haja falta na escala”, completou.
Se a escala do próximo sábado não for fechada, Reynaldo afirmou que comunicará ao Conselho Municipal de Saúde e novamente ao Ministério Público. Segundo ele, a população será avisada com antecedência. “Mas a gente acredita que a equipe do Nossa Senhora das Dores, responsável como sempre foi, conseguirá passar por essa dificuldade com apoio de toda equipe médica da obstetrícia”, afirmou.
Mudança no HCC
Se a situação está complicada hoje, pode ficar ainda mais difícil nos próximos meses. As mudanças no sistema de saúde de Itabira, com o Hospital Carlos Chagas (HCC) passando a ser exclusivo aos usuários do SUS, obrigará que sejam montadas duas escalas de plantonistas em maternidades. A do Nossa Senhora das Dores seria destinada a clientes de planos de saúde.
“Esse problema vai acontecer a partir do final do processo do Hospital Carlos Chagas, na definição do acompanhamento da maternidade. A gente vai precisar de escalas presenciais nos dois hospitais. A partir daí, a equipe que está no Nossa Senhora das Dores e que faz hoje, no mesmo plantão, a escala de urgência do SUS e a escala de urgência da saúde suplementar, teria que fazer duas. A ANS exige que a saúde suplementar que vende plano com a maternidade, tenha porta aberta específica para eles”, relatou Reynaldo Damasceno.
A entidade que vai administrar o Hospital Carlos Chagas ainda está sendo escolhida pela Prefeitura de Itabira. A expectativa do secretário é de que em setembro já haja um resultado. “Então, todas as dúvidas têm como plano de fundo esse processo. Muitos deles (médicos) estão aproveitando o momento para sair efetivamente da escala, para ficar somente nos consultórios. E essa reorganização é que está nos preocupando”, argumentou.
Segundo Reynaldo, a Prefeitura está tentando fazer do problema a solução. A estratégia é usar justamente a possibilidade de fazer duas escalas para atrair novos profissionais. “A gente está divulgando essa potencialidade de Itabira, que vai ter duas escalas. Novos profissionais que se interessarem, vão ter um grande campo de trabalho, porque aqui será referência não só para a microrregional de Itabira, mas também para a micro de Guanhães e de João Monlevade. São, mais ou menos, 500 mil habitantes”, finalizou.





