“Tentativa de suicídio deve ser levada a sério”, diz psicólogo

Apesar da importância de se discutir o assunto, o tema nem sempre é abordado na sociedade

“Tentativa de suicídio deve ser levada a sério”, diz psicólogo

O dia 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. Diversos países celebram neste mês o Setembro Amarelo, iniciativa que lançada pela Associação Internacional pela Prevenção do Suicídio (IASP), que tenta associar a cor à causa da prevenção do autoextermínio.

Apesar da importância de se discutir o assunto, o auto extermínio nem sempre é abordado na sociedade e inúmeras dúvidas são levantadas sobre o tema, que muitas vezes é visto como tabu. O psicólogo itabirano Tiago Couto Bicalho esclarece alguns dos questionamentos mais comuns sobre o tema. 

Quais  os principais fatores que levam ao suicídio?

Desde situações sociais como o analfabetismo, até apoio de amigos, família e religião. Visão muito negativa do mundo e de si mesmo. Dificuldade de resolução de problemas, principalmente expectativa negativa quanto ao futuro. Este é o maior dos maiores. A maneira de ver o mundo, encarar dificuldades e habilidades de solução de problemas. Principalmente a expectativa da pessoa quanto ao futuro mesmo.

Como detectar quadros de riscos? 

O que diferencia uma pessoa deprimida de um suicida é a desesperança, ou seja, o depressivo pensa que as coisas estão ruins, mas a suicida pensa que, além de ruins, elas não podem mudar. Há um inventário que pode ser usado em pesquisas para detectar isto, mas se ouvimos a pessoa dizer: “É, não tem mais jeito” ou “Eu não tenho mais solução”, estamos diante de uma vulnerabilidade importante ao suicídio. O que vai fazer isto piorar é se a pessoa não tiver razões para viver como filhos ou crenças religiosas avessas ao suicídio.

Quais os sinais demonstrados por uma pessoa que está prestes a cometer o ato? Como ajudá-la?

É complicado, porque quanto maior é a intenção de morrer, maior será o cuidado para que os outros não saibam e também não tentem impedir. Assim, o melhor mesmo é um trabalho preventivo, antes que a pessoa perca mesmo todas as esperanças. Assim, o apoio social, tanto de amigos, igreja e programas sociais. Entretanto, a pessoa pode dar sinais, dizendo que vai se matar ou muito urgente se a pessoa adquire veneno ou armas. Em um consultório médico ou psicológico, o profissional não deve deixar sair sem a família a pessoa que apresentar estes sinais. Dizer ao paciente que precisa protegê-lo dele mesmo e fazer contato com a família é necessário e aceito por eles. A tentativa de suicído deve ser levada a sério, pois em muitos casos, o insucesso da tentativa é acompanhado por aprimoramento do meio letal na próxima tentativa.

Em sua opinião, o suicídio é uma questão política, de saúde pública ou um conjunto dos dois?

O conjunto. Políticas públicas de prevenção ao suicídio são a maneira coisa de se fazer algo realmente efetivo para uma população.

O senhor gostaria de ressaltar algo mais?

O suicídio é uma crise social, agravada por outras questões sociais, como nossa crise econômica atual, desemprego e padrões culturais muito exigentes quanto ao sucesso pessoal. É urgente, há muito tempo, que seja criado um amplo programa social, que envolva a capacitação de todos os profissionais de saúde nesta área e também prevenir o preconceito contra o suicida. Também deveria haver um profissional especialista em crises psicológicas para dar bom acolhimento e encaminhamento aos casos de tentativas que chegam aos pronto-socorros. Este programa deve estar ligado a outros programas sociais que aumentem a empregabilidade dessas pessoas. Só assim estaríamos atenuando as causas biopsicossociais.

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