A calvície também atinge as mulheres

Otávio Boaventura é médico, cirurgião geral e cirurgião plástico. Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e da Associação Brasileira de Cirurgia e Restauração Capilar

A calvície também atinge as mulheres

Comumente, associa-se a calvície, também chamada de alopecia, aos homens. Mas há mulheres que também sofrem dessa disfunção que atinge dois bilhões de pessoas em todo o mundo. Desse número, mais de 100 milhões são mulheres, segundo dados da Academia Americana de Dermatologia (AAD). No Brasil, o problema atinge, aproximadamente, 20% da população feminina, em graus variados. Dentre as causas mais comuns, estão propensão genética, alterações hormonais e inflamações no couro cabeludo. 

Além disso, quando se fala em calvície, imagina-se logo uma pessoa completamente calva. Contudo, no caso das mulheres, na maior parte das vezes, os fios vão se tornando progressivamente mais finos, expondo certas áreas do couro cabeludo, e é raro que elas cheguem a ficar totalmente carecas. Isso acontece porque a disfunção é provocada pelo hormônio testosterona, presente em grande quantidade nos homens e em menor porção nas mulheres. 

A alopecia feminina pode se manifestar em três níveis, do mais leve (I) ao mais grave (III). No primeiro grau, pode-se observar uma leve rarefação no centro do couro cabeludo; no segundo, grau intermediário, já conseguimos visualizar em maior quantidade o couro cabeludo; e no terceiro, já temos a calvície instalada de fato. 

O primeiro passo para o tratamento é identificar se existe, realmente, uma queda excessiva de cabelo, pois é comum a perda de até 100 fios por dia. Na sequência, deve-se obter o diagnóstico exato, feito por um especialista, que vai utilizar uma série de exames e, em alguns casos, até uma biópsia do couro cabeludo. Após isso, o médico saberá qual o tratamento mais adequado.

Pode ser feito, dependendo do caso, o uso de remédios ou até mesmo laserterapia. Já em quadros mais graves, pode ser necessária a realização de um transplante capilar, em que são transferidos fios das regiões laterais e posteriores da cabeça às áreas atingidas pela calvície. Hoje, já existem técnicas inovadoras, como a FUE, que transfere fio a fio e não deixa cicatrizes lineares na cabeça. Fica quase imperceptível. 

Quando bem indicada e realizada por um especialista, a cirurgia poderá trazer de volta a autoestima e uma nova qualidade de vida à paciente. Vale ressaltar, porém, que o transplante, apesar de ser muito utilizado para o público masculino, tem algumas restrições para as mulheres. Deve-se averiguar se o processo de queda capilar encontra-se estável, além disso, as áreas calvas devem ser limitadas e circunscritas e não em um processo generalizado por todo couro cabeludo. Outro ponto negativo é que mulheres com o cabelo muito fino tendem a ter piores resultados com cirurgia. 

E é importante destacar que existem algumas rotinas que podem amenizar e prevenir os problemas com a calvície. Beber bastante água, evitar o excesso de bebidas alcoólicas e cigarro, além de praticar exercícios físicos regularmente, são algumas medidas que podem colaborar com a sua saúde e a dos cabelos. Já em casos onde há uma herança genético-familiar da calvície, além de adotar a rotina saudável, é importante acompanhamento precoce de um especialista.

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