Homem morre à espera de cirurgia cardíaca e viúva protesta na Câmara Municipal
Marinete aos prantos: Se meu marido tivesse feito a cirurgia estaria aqui”

A dona de casa Marinete Lopes, moradora do bairro Madre Maria de Jesus, fez um desabafo na reunião da Câmara Municipal de Itabira nessa terça-feira, 29 de setembro, por causa da morte de seu marido, Mauro Sérgio dos Santos. O homem de 40 anos faleceu na fila de espera de uma cirurgia cardíaca, no dia 10 de setembro, após ser socorrido pelo Samu e levado ao Pronto-Socorro Municipal.
Aos prantos, a viúva disse que bateu na porta da Secretaria Municipal de Saúde, do Tratamento Fora do Domicílio (TFD) e de outras unidades em busca da cirurgia do marido, mas a resposta era sempre a mesma: aguardar.
Entre os documentos que ela tinha em mãos, um constava a solicitação de cirurgia para troca das valvas mitral e aórtica de Mauro Sérgio, datado de 26 de maio deste ano. O documento assinado por um médico indicava que o paciente tinha insuficiência mitral importante e apresentava cansaço aos mínimos esforços, além de taquicardia.
Alguns dias após a morte do marido, Marinete recebeu a informação de que a cirurgia havia sido marcada para o dia 30 de setembro, em Belo Horizonte, onde ele já tinha se consultado. “Se meu marido tivesse feito a cirurgia estaria aqui. Foi negligência do pessoal da marcação”, lamentou Marinete, ao afirmar que o caso era prioridade máxima.
Muito tumulto
No decorrer da sessão legislativa, a viúva chorava e falava em voz alta com alguns membros da imprensa. O secretário municipal de Saúde, Reynaldo Damasceno, estava no plenário aguardando a vez de argumentar à tribuna sobre a situação do Hospital Carlos Chagas (HCC). A mulher aproveitou a oportunidade e foi falar com ele.
Em dado momento, com a reunião bastante tumultuada, o vereador Ilton Magalhães (PR) sugeriu que alguém retirasse Marinete do plenário e desse-lhe assistência psicológica. O clima ficou ainda mais tenso e o presidente da Câmara, Solimar Silva (SD), teve de suspender a reunião por alguns minutos.
Com a reunião paralisada, a dona de casa e o secretário foram para uma sala reservada nas dependências da Câmara conversar. Depois de alguns minutos, ela voltou mais calma e comentou as razões de seu protesto. “Nada vai trazer meu marido de volta, mas que esse caso sirva de exemplo para que situações semelhantes não se repitam”, afirmou Marinete, que é mãe de dois filhos, um de 12 e outro de 13 anos.
Vídeo da reunião





