Tratamento de câncer pelo SUS em Itabira será adiado, avisa secretário

Secretário disse que HNSD ainda não está preparado para atender à demanda

Tratamento de câncer pelo SUS em Itabira será adiado, avisa secretário
O atendimento de alta complexidade em oncologia pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Itabira vai demorar mais um pouco para sair do papel. De acordo com o secretário municipal de Saúde, Reynaldo Damasceno Gonçalves, o início do processo foi adiado para o segundo semestre de 2016. O assunto foi um dos mais debatidos na reunião da Câmara Municipal de Itabira nesta terça-feira, 10 de novembro, e gerou muitos questionamentos.
 
De acordo com Reynaldo, o Hospital Nossa Senhora das Dores (HNSD), que será responsável por fazer os atendimentos, não está preparado ainda para assumir a demanda. Uma empresa, que faria no hospital um investimento de cerca de R$ 20 milhões (obras físicas, ampliações de serviços e melhoria da estrutura de atendimento), desistiu da ideia e o caminhar do projeto ficou comprometido.
 
Centro ou unidade
As discussões sobre Itabira ser referência regional em tratamento de câncer começaram em 2002, com a participação de profissionais que nem estão mais entre nós, como o doutor Cesário. Desde então, a ideia era trazer para a cidade um Centro de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon), que oferece o tratamento completo, do início ao fim.
 
Mas sem o investidor que colocaria dinheiro suficiente no projeto, o que se discute agora é a instalação de uma Unidade de Atendimento de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon), com serviços bem mais limitados. A Unacon, que tem por trás também uma empresa parceira, ofereceria apenas quimioterapia, hemoterapia e algumas cirurgias.
 
De acordo com o secretário, o serviço de alta complexidade oncológica está aprovado no Ministério da Saúde, após um estudo de viabilidade que envolveu 25 municípios das regiões de João Monlevade e Guanhães. O adiamento, pelo que ele deu a entender, se deve a motivos diversos, entre eles, à falta de dinheiro e à incapacidade do HNSD de oferecer um tratamento integral, sem precisar deslocar pacientes para clínicas terceirizadas no caso da necessidade de exames complementares e outros procedimentos.
 
Muitos questionamentos
Reynaldo fez uma explicação longa e cheia de detalhamentos técnicos enquanto discursava na Câmara. E foi sabatinado pelos vereadores, principalmente os de oposição. O secretário afirmou, em mais de uma ocasião, que o HNSD carece de estrutura para atender a um aumento de demanda, caso o tratamento do câncer começasse já. Ele ressaltou que os pacientes não são só de Itabira, mas de várias cidades da região que somam uma população de 480 mil pessoas.
 
Alguns vereadores disseram que foram informados no Hospital Nossa Senhora das Dores e na Gerência Regional de Saúde de que o Estado fez vistorias e aprovou a estrutura do HNSD. Portanto, na visão deles, o serviço poderia ser instalado de imediato. Bastava o secretário querer.
 
Reynaldo voltou a ressaltar que prefere não correr risco. É preferível deixar por enquanto o tratamento oncológico continuar sendo feito em Belo Horizonte, onde os hospitais têm toda a condição de atender o paciente dentro de sua própria estrutura, do que implantar o serviço e ter problemas depois.
 
“Tira-teima”
Como houve muitos questionamentos e até bate-boca, ficou acertado que outra reunião será marcada, com a participação de vários atores envolvidos no projeto, para colocar tudo em pratos limpos. A ideia é colocar secretário, representante do Governo do Estado, representantes do hospital e médicos frente a frente para esclarecer as dúvidas. Quanto vai custar a instalação do serviço? De onde sairá o dinheiro? Qual a capacidade de atendimento? Que tamanho tem a equipe? Qual é a participação da empresa privada? O que ela ganha com isso? São perguntas que devem ser respondidas na aguardada reunião.
 

Serviços relacionados