Diretor da GRS: no que depende do Estado e do Ministério da Saúde, Itabira está apta a tratar câncer pelo SUS
Alexandre Banana, diretor da GRS, afirma que uma equipe veio de surpresa a Itabira e gostou das instalações do HNSD

Desde a semana passada, tem dado o que falar o adiamento da implantação do serviço de alta complexidade oncológica pelo SUS em Itabira. Na reunião da Câmara de Vereadores de terça-feira, da qual o secretário municipal de Saúde, Reynaldo Damasceno, participou, o clima foi tenso. Muitas perguntas e dúvidas foram levantadas. (Clique e leia a matéria).
Em entrevista a DeFato Online nessa segunda-feira, 16 de novembro, o diretor da Gerência Regional de Saúde (GRS), Alexandre de Faria Martins da Costa, confirmou que tanto a Secretaria de Estado de Saúde quanto o Ministério da Saúde aprovaram a estrutura do Hospital Nossa Senhora das Dores (HNSD), que será responsável por oferecer o serviço. Segundo ele, a equipe veio de surpresa no dia 4 de novembro, vistoriou as instalações do hospital e gostou do que viu. Ou seja, no que depende do Estado e do Governo Federal, Itabira está apta a implantar o serviço e ser polo regional em tratamento de câncer.
Mas apesar do ok das autoridades estaduais e federais, há outros empecilhos e o projeto vai ficar para o segundo semestre de 2016. Isso porque, de acordo com o secretário municipal de Saúde, o HNSD ainda não está preparado para receber e absorver a demanda. Na opinião dele, ainda há serviços referenciados ou terceirizados, como exames de tomografia e outros, que são feitos em clínicas particulares. Isso por si só seria um obstáculo importante na implantação da alta complexidade oncológica de imediato. Afinal, a região tem 25 municípios e mais de 480 mil pessoas. O ideal é que o serviço seja oferecido por completo dentro da estrutura do próprio hospital.
Durante a entrevista, Alexandre Banana, que representa o Governo de Minas na região, disse que Itabira é um município de gestão plena e a decisão de começar agora ou depois o serviço de alta complexidade de oncologia não cabe a ele, cabe ao gestor municipal em conjunto com os demais municípios envolvidos. Na manhã desta terça-feira, 17 de novembro, uma reunião na GRS envolveu vários secretários municipais de Saúde e a decisão de Reynaldo foi mantida: alta complexidade oncológica fica para o segundo semestre do próximo ano.

Unidade básica
Itabira pleiteia uma Unidade de Atendimento de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon), com serviços limitados. A Unacon oferece apenas quimioterapia, hemoterapia e algumas cirurgias, diferentemente do Centro de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon), que tem uma estrutura completa. Mesmo com o serviço básico, Alexandre afirma que 70% das cirurgias demandadas atualmente poderão ser feitas na cidade.
“Entendo que o adiamento é mais até pela questão de fluxo dos pacientes. Parte do atendimento não poderia ser feito em Itabira, teria de ser pactuado com Belo Horizonte. Por exemplo, as cirurgias de maior complexidade e o serviço de radioterapia, que não seriam aqui”, afirma Alexandre. O diretor comenta ainda que tem muita coisa acontecendo na área da saúde em Itabira: transformação do Hospital Carlos Chagas em 100% SUS, mudanças no HNSD e no Pronto-Socorro, além da situação econômica desfavorável. “Tem esse problema administrativo local e eu entendo também que por isso eles estão pedindo esse adiamento para colocar a casa em ordem e depois absorver outros serviços”, ressalta.
Dinheiro
Com a estruturação do serviço de alta complexidade no tratamento de câncer, a quantidade e recursos do Governo Federal direcionada a Itabira também aumenta. Segundo o diretor da GRS, os gastos continuam sendo divididos em três partes: federal, estadual e municipal. Só que com uma fatia maior do Ministério da Saúde, que daria para suprir quase que 100% das despesas. Ainda nesta terça-feira, 17 de novembro, às 18 horas, os vereadores vão se reunir mais uma vez com representantes do hospital, prefeitura e GRS para discutir melhor o assunto. O encontro acontecerá na Câmara Municipal.





