Comissão pede prazo maior para transferência de maternidade ao HMCC

A audiência pública ocorreu na tarde desta quinta-feira

Comissão pede prazo maior para transferência de maternidade ao HMCC

A Comissão de Saúde da Câmara de Vereadores de Itabira pediu à prefeitura que prorrogue a transferência do atendimento SUS da maternidade do Hospital Nossa Senhora das Dores para o Hospital Municipal Carlos Chagas. O presidente da comissão, Geraldo Torrinha (PHS), citou que o espaço de estruturação da maternidade do Carlos Chagas tem obras agendadas até o próximo dia 3 de agosto, pelo menos. Antes do fim das intervenções, no entanto, ocorrerá a migração da maternidade, prevista para o dia 18 deste mês.

Nesta terça-feira (7), a Câmara sediou audiência pública para discutir o processo de transferência do atendimento às parturientes pela rede pública. O encontro teve a participação da comunidade e representantes do Legislativo e Executivo municipal, Gerência Regional de Saúde (GRS), HNSD e da nova mantenedora do HMCC – Fundação São Francisco Xavier.

Ao todo, o Carlos Chagas passa a contar com 16 leitos de maternidade e 11 de pediatria. Os primeiros atendimentos já ocorrem daqui a 10 dias. Para a FSFX, esse acolhimento não será impactado pela adequação do “layout de atendimento”, isto é, os espaços onde a maternidade é instalada. “Esse processo já vem sendo discutido desde a assinatura do contrato no mês de abril. É um tempo corrido, mas isso não compromete a segurança do atendimento”, citou o superintendente de administração do HMCC, Marcelo Bouissou de Sousa.

Escassez

Uma preocupação discutida na audiência é a falta de profissionais. “Itabira tem 8 pediatras”, alertou Torrinha. A superintendente de assistência do HMCC, Ana Rosa Santos, pontuou que a mantenedora já publicou edital de convocação e que, caso a procura seja menor que a esperada, a FSFX irá mirar profissionais da Região Metropolitana de Belo Horizonte, onde há serviços hospitalares em fechamento e especialistas à disposição no mercado. “Não vemos isso como um gargalo a nossa atividade”, resumiu a médica.

A nova secretária de Saúde de Itabira, Clíssia Felisberto, destacou que todas as sugestões recebidas durante a audiência passarão por análise e crivo técnico. Sobre a prorrogação da transferência do serviço até o mês que vem, ela disse que a viabilidade será discutida entre governo e a mantenedora do Hospital Municipal Carlos Chagas.

Partos normais

A médica Ana Rosa Santos elencou que será uma prioridade no Carlos Chagas o combate às cesarianas desnecessárias. Segundo a superintendente, serão direcionadas ações de incentivo ao parto normal, conforme regras definidas nos anos anteriores pelo Ministério da Saúde. Ela citou existir resistência de profissionais e pacientes ao assunto, o que será enfrentado. “Pela paciente, essa resistência ocorre pelo desconhecimento. A mãe por vezes desconhece que ela pode ter um filho de forma melhor”, alertou.

Conforme o Ministério da Saúde, na rede pública 40% dos partos ocorrem por cesáreas. O recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de 15%. O procedimento, quando não indicado corretamente, traz riscos como aumento da probabilidade de problemas respiratórios para o recém-nascido e de morte materna e infantil.

No HMCC, o atendimento às grávidas passará a contar com a Rede Cegonha. A iniciativa tem como uma das principais metas incentivar o parto normal humanizado e intensificar a assistência integral à saúde de mulheres e crianças, desde o planejamento reprodutivo, passando pela confirmação da gravidez, pré-natal, parto e pós-parto.

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