Estado confirma febre amarela em Itabira e São Gonçalo; diretor da GRS mantém tranquilidade

Diretor da GRS de Itabira, Alexandre Banana, mantém a calma apesar de confirmação da febre amarela em macacos na região

Estado confirma febre amarela em Itabira e São Gonçalo; diretor da GRS mantém tranquilidade

A Secretaria de Estado de Saúde divulgou na tarde desta sexta-feira, 3 de março, o boletim bissemanal com atualizações sobre a febre amarela em Minas Gerais. Além de Itabira, na qual autoridades locais já haviam confirmado a presença da doença em um macaco encontrado morto, outra cidade da região com circulação do vírus entre primatas é São Gonçalo do Rio Abaixo. Apesar disso, o diretor da Gerência Regional de Saúde, Alexandre Faria Martins da Costa (Banana) mantém a calma e elogia ações tomadas em âmbito municipal.

Itabira e São Gonçalo do Rio Abaixo não são os únicos da região no raio de ação da Secretaria de Estado de Saúde. Nos municípios de Ferros, São Domingos do Prata e Santa Bárbara foram encontrados macacos mortos recentemente, porém ainda não são analisados. Já nas cidades de Barão de Cocais, Bom Jesus do Amparo e Conceição do Mato Dentro foram achados primatas mortos e que já estão sendo avaliados pela Fundação Ezequiel Dias (Funed).

Questionado se a situação é preocupante, Alexandre Banana afirmou que a presença da febre amarela em Minas Gerais preocupa desde que foram registrados os primeiros casos em humanos. De acordo com ele, municípios da região têm panorama mais favorável porque sempre registraram cobertura satisfatória de vacinas. “Essa febre amarela apareceu mais em humanos em municípios que têm baixa cobertura, especialmente aqueles com menos de 10 mil habitantes, 5 mil habitantes, e que têm uma população rural maior. Essa febre amarela é silvestre”, avalia Banana.

O diretor da GRS elogiou a atuação da Secretaria Municipal de Saúde de Itabira e comentou que as autoridades locais se anteciparam em adotar medidas mais incisivas antes mesmo da confirmação da febre amarela em um macaco. “Desde quando foi instituída a categoria 2 – que é a fase da epizootia, do animal morto – Itabira já estava fazendo o que é hoje a fase 3, que é a do primata morto com a confirmação da febre amarela”, disse Banana. “Eu dou testemunho que a equipe da Secretaria Municipal de Saúde de Itabira já antecipou os procedimentos que deveriam ser feitos, como vacinar de casa em casa na zona rural e vacinar crianças de nove meses a seis anos. Isso já estava sendo antecipado por conta própria da equipe local, o que eu até parabenizo”, acrescenta.

Apesar de o Governo do Estado ter divulgado o relatório mais atual na tarde desta sexta-feira, a informação já havia sido repassada às autoridades locais de saúde no dia anterior. Na próxima segunda-feira, 6 de março, a Secretaria Municipal de Saúde e a GRS darão entrevista coletiva para informar detalhes técnicos da presença da febre amarela em Itabira e na região.

Procura pela vacina

Desde que as notícias sobre febre amarela passaram a circular com mais intensidade no estado de Minas Gerais, itabiranos têm reclamado da dificuldade de encontrar vacinas nos postos da cidade. De acordo com Alexandre Banana, a situação é normal, já que a procura aumentou muito acima da média do que era antes. Ele, no entanto, orienta que o cidadão deve observar se tem mesmo a necessidade de mais uma dose de imunização.

“Tem que ter cuidado. É importante que tenha o cartão de vacinação, porque existem efeitos colaterais da vacina. Às vezes a pessoa pode estar procurando para vacinar pela terceira vez, por exemplo. Não é essa a indicação. A vacina de rotina já era feita em Itabira nos postos de saúde para as pessoas que são indicadas”, diz o diretor da GRS.

Segundo relatório da Secretaria de Estado de Saúde, a GRS de Itabira já recebeu, até esta sexta-feira, 126 mil doses de vacina contra febre amarela. Desse total, 75 mil já foram aplicadas.

Para Banana, surtos como o que vive Minas Gerais atualmente servem de alerta para aqueles que se descuidam ou debocham da necessidade de imunização. “Talvez esse seja um surto que venha a trazer o benefício das pessoas passarem a ter um controle maior do cartão de vacina. Adultos, principalmente”, finaliza. 

Até o momento, em Minas Gerais, são 88 municípios com suspeita de febre amarela e 46 já tiveram a doença confirmada. São 1063 casos notificados em humanos, dos quais 181 evoluíram para óbito. De acordo com o governo de Minas, do total de mortes, 99 foram confirmados para febre amarela. Entre os óbitos confirmados, 87,8% foram do sexo masculino, com média de idade de 45 anos.

Serviços relacionados