Profissionais lutam para mudar a realidade de atendimento à saúde mental na região

Psicóloga Soraia Marcos lamenta recursos ainda limitados para o setor de Saúde Mental

Profissionais lutam para mudar a realidade de atendimento à saúde mental na região

Muito se avançou no entendimento de que pessoas com sofrimento mental devem ser tratadas de forma humanizada, com qualidade de vida e longe dos temidos manicômios. Avançou, mas ainda está muito aquém do ideal e com recursos mínimos em infraestrutura de atendimento, avalia a psicóloga Soraia Marcos, referência técnica da Coordenação Estadual de Saúde Mental. “Existe um estigma, uma discriminação. É um público que, teoricamente, não dá voto, a visibilidade é marginal. O poder público não pensa essas pessoas como cidadãos de direitos”, lamenta.

Nessa quinta-feira, 8 de junho, profissionais de saúde de toda a região se reuniram no plenário da Câmara de Vereadores de Itabira para discutir como as cidades do entorno lidam e atendem seus pacientes com sofrimento mental. A proposta foi debater a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) nos municípios abrangidos pela Gerência Regional de Saúde (GRS), capacitar os participantes e levar demandas aos gestores dos municípios, àqueles que podem bater o martelo em investimentos na área.

O colegiado da regional da GRS abrange 29 municípios e o encontro dessa quinta reforçou o movimento da luta antimanicomial, que propõe tratamento em serviços substitutivos aos manicômios.


Encontro na Câmara de Itabira debateu rumos da Saúde Mental na região                                            Foto: Wesley Rodrigues/DeFato

Com a reforma psiquiátrica brasileira, foi dado um espaço a um modelo de atenção aberto e de base comunitária às pessoas com sofrimento mental, incluindo os efeitos nocivos do uso de crack, álcool e outras drogas. A RAPS, dessa forma, integra serviços como Centros de Atenção Psicossocial (CAPS); Serviços Residenciais Terapêuticos (SRT); Centros de Convivência e Cultura, Unidade de Acolhimento (UAs) e os leitos de atenção integral.

“Os municípios precisam fortalecer esses equipamentos, ‘empoderando’ os que já existem e instalando os que ainda não têm”, frisou Soraia Marcos. O País tem legislações recentes que asseguram a proteção e os direitos das pessoas com sofrimento mental.

A referência regional em Saúde Mental da GRS, Maria Alves Ferreira, citou que em toda a região de abrangência do órgão, o município melhor emparelhado no assunto é Itabira, com CAPS voltado ao público infantil, adulto, de atenção aos acometidos pelo álcool e outras drogas e leitos no Hospital Nossa Senhora das Dores.

“Na nossa região ainda temos um vazio existencial. Os outros municípios tem um ou outro dispositivo. Ainda não temos uma rede psicossocial completa”, destaca Maria Alves.

Ela ressalta também que o desafio no assunto, muito além dos recursos financeiros para tirar as políticas públicas do papel, é que o tema seja visto como prioridade pelos novos gestores políticos dos municípios. 

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