Movimento Alimento Seguro alerta para cuidados com ingredientes e utensílios
Quem não se sente completamente seguro ao comer aquele feijão da mamãe, as verduras preparadas pela avó ou aquela torta doce que só a tia sabe fazer? Quando o assunto é alimentação, 10 em cada 10 pessoas confiam na comida caseira. Mas dados dos Ministério da Saúde comprovam: 48% da contaminação alimentícia no Brasil ocorre […]

Quem não se sente completamente seguro ao comer aquele feijão da mamãe, as verduras preparadas pela avó ou aquela torta doce que só a tia sabe fazer? Quando o assunto é alimentação, 10 em cada 10 pessoas confiam na comida caseira. Mas dados dos Ministério da Saúde comprovam: 48% da contaminação alimentícia no Brasil ocorre dentro de casa. Surpreendente, o número é a base para o Movimento Alimento Seguro, que chegou na quinta-feira pela primeira vez a Belo Horizonte, com o intuito de informar consumidores sobre os cuidados com a alimentação de todo o dia.
A iniciativa, que já passou por Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro e Ceará, é uma realização do Sistema S (Senac, Sesc, Sesi, Senai e Sebrae,). O objetivo é evitar que, por falta de conhecimento, o consumidor coloque a própria saúde e a da família em risco. Nesta sexta-feira e no sábado, especialistas estarão na praça de alimentação do Shopping Cidade, no Centro da capital, e depois no Supermercado Carrefour do Bairro Cidade Jardim, esclarecendo dúvidas e orientando sobre os cuidados com os alimentos.
Segundo a nutricionista e consultora do Programa de Alimento Seguro, Débora Miranda, o programa existe no Brasil desde 1998, mas há dois anos concentrou suas ações nos consumidores. De acordo com ela, em BH, somente este ano foram treinados 340 ambulantes. “São pessoas que trabalham com venda em barraquinhas, como os comerciantes da Feira de Arte e Artesanato da Afonso Pena. Ministramos cursos para informar sobre as boas condições de conservação de alimentos, tanto na teoria quanto na prática.”
Débora diz que restaurantes em BH precisam de melhorias nesse quesito. “Uma prática comum, embora proibida por lei, é o uso de tábuas de madeira para corte de alimentos ou de esponja de aço para a limpeza de utensílios na cozinha. A tábua é porosa, há espaços nela em que ficam restos de alimentos, o que os micro-organismos adoram. O mesmo acontece com colheres de pau. Já as esponjas de aço são um perigo, porque enferrujam e podem contaminar os produtos alimentícios”, alerta, dizendo que as donas de casa que usam esses materiais devem mantê-los sempre bem limpos. “Em restaurante, eles são definitivamente proibidos.”
Na quinta-feira, Roberto Figueiredo, biomédico com especialização em saúde pública pela Fundação Getúlio Vargas, também conhecido como “Doutor Bactéria”, debateu o tema, em palestra no Sesc do Centro. Segundo ele, é preciso que haja mudança de hábitos em toda a população brasileira. “As pessoas têm resistência, pois há práticas que são adotadas, ainda que equivocadas, há muitos anos, como a de colocar ovos na porta da geladeira.
Esses alimentos devem ficar na parte interna do eletrodoméstico, pois não haverá alterações na temperatura.” “Contaminação alimentícia mata. As pessoas devem estar bem informadas para saber manipular sua comida”, diz Roberto, alertando que, além disso, os consumidores devem estar atentos à higiene dos restaurantes. “É preciso olhar os mínimos detalhes de limpeza, principalmente nos banheiros, que dizem muito sobre a casa.”
Números
Apesar dos dados do Ministério da Saúde indicando que 48% da contaminação alimentícia ocorre dentro de casa, Débora Miranda sustenta que as informações sobre a quantidade de pessoas contaminadas por ano ou por mês no país é defasado. “Os médicos não fazem exames laboratoriais. Quando chega um paciente com diarréia ou com cólica muito forte, receitam um remédio e pronto. O ideal seria conhecer a fundo esses problemas, mas o Brasil está muito atrasado nesse sentido. “
De acordo com o “Doutor Bactéria”, os principais sintomas de uma contaminação por alimento são diarreia, cólicas fortes e vômito, entre outros. Ele faz um alerta às mães de recém-nascidos sobre um alimento que muita gente julga inofensivo: “Não se deve, nunca, dar mel de abelha a uma criança com menos de 1 ano. A substância tem 10% de presença de uma bactéria associada à síndrome de morte súbita, que pode levar o bebê a parar de respirar”.





