Um ano de gripe suína: onde está a prevenção?

 Um ano depois de o primeiro caso de gripe suína ter sido registrado no Brasil – em 7 de maio de 2009 – muita gente parece ter se esquecido de hábitos simples, que podem prevenir não só a nova doença como outras epidemias. O mais grave é que as próprias unidades de saúde da capital […]

 Um ano depois de o primeiro caso de gripe suína ter sido registrado no Brasil – em 7 de maio de 2009 – muita gente parece ter se esquecido de hábitos simples, que podem prevenir não só a nova doença como outras epidemias. O mais grave é que as próprias unidades de saúde da capital mineira parecem ter esquecido a precaução.
Para saber se o álcool gel, um material básico de higiene, está disponível para a população que procura por socorro médico, a reportagem do Portal O Tempo Online usou uma câmera escondida para gravar o atendimento em várias unidades.

Veja o vídeo
 


 

Tanto na Unidade de Pronto Atendimento da região Leste como na da região Oeste de Belo Horizonte, não só não havia álcool gel à disposição de quem chegava nos centros como não havia sabonete nos banheiros. No Centro de Saúde Carlos Chagas, na região hospitalar, faltava álcool, mas havia sabonete líquido. O fato foi confirmado por funcionários em todas as unidades. Quando indagados sobre a disponibilidade do material, os responsáveis pelas portarias ofereciam uma bisnaga de álcool líquido que é guardada dentro do balcão.

No Serviço Médico de Urgência do Instituto de Previdência do Estado de Minas Gerais (SMU-Ipsemg), também na região hospitalar, havia um dispositivo com álcool gel, assim também como na Unidade de Pronto Atendimento Centro-Sul. O caso mais grave foi registrado no Hospital Infantil João Paulo II, o antigo Centro Geral de Pediatria (CGP). Em uma recepção lotada de crianças pequenas, não havia material à mostra para higienização das mãos. A bisnaga de álcool líquido, que fica atrás do balcão, só é usada mediante solicitação. Quando indagada sobre a ausência do sabonete no banheiro, uma funcionária confessou: “nunca teve”.

Resposta

A diretora do Hospital Infantil, Helena Valadares Maciel, afirmou que, em acordo com uma portaria da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), está disponibilizado o álcool líquido nas portarias das unidades
de saúde.

Quando indagada se a medida não desestimularia os pacientes a higienizar as mãos, uma vez que o material não está à mostra, a diretora afirmou que as mães que trazem as crianças ao hospital são orientadas a usar o álcool, e
que um cartaz deve ser posto no local.

Mesmo diante da alegação de que algumas das unidades de saúde visitadas não disponibilizam os instrumentos de higiene para quem frequenta o local, a assessoria da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte afirmou que os representantes do órgão não iriam comentar o fato e limitou-se a divulgar uma nota de esclarecimento:

Em relação às informações solicitadas pelo jornal O Tempo, a Secretaria Municipal de Saúde (SMSA) informa:
1. Nas unidades de saúde UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Leste, UPA Oeste e no Centro de Saúde Carlos Chagas não está faltando sabonete.
2. Com relação ao álcool gel, todas as unidade de saúde da Rede SUS-BH estão usando álcool glicerinado (solução contendo álcool e glicerina, para evitar
o ressecamento das mãos) para substituir o álcool gel.

A secretaria esclareceu também que a falta de sabonete nas unidades pode ter sido momentânea, entre o término do sabonete e a reposição pela equipe de limpeza.

Sem procura

Os pequenos frascos de álcool gel, antes usados em todos os lugares, como ônibus, restaurantes, locais de trabalho e escolas, parecem não estar mais tão presentes no cotidiano de Belo Horizonte. A procura pelo material também não é mais a mesma de 12 meses atrás. O fato foi confirmado pela representante de vendas de uma empresa de higienização paulista, Márcia Mariano. “Depois que começou a campanha de vacinação (contra a gripe H1N1), a procura pelo álcool gel aumentou outra vez. Mas nada comparado ao aumento que tivemos no início (da epidemia)“ revelou. Segundo ela, depois do auge da doença, as vendas voltaram ao patamar normal. 

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