Médicos prometem não atender pacientes de planos particulares
A tensão no relacionamento entre médicos e operadoras de planos de saúde atingiu o ponto máximo. Nesta quinta-feira, no Dia Mundial da Saúde, consumidores dos convênios médicos, pela primeira vez, não terão atendimento nos consultórios nem farão cirurgias programadas. Só as urgências e emergências funcionarão normalmente – quem precisar de uma consulta terá de recorrer […]

O protesto dos médicos, uma espécie de greve no sistema privado, atinge em cheio 45,7 milhões de usuários. Em Minas, segundo os últimos dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), são 4,7 milhões no sistema. Se a meta de 80% de adesão estabelecida pelas entidades médicas for atingida, em Minas serão 92 mil consultas suspensas.
Os médicos reivindicam correção nos valores recebidos dos planos de saúde. Levantamento feito por entidades representativas do setor sustenta que, nos últimos 10 anos, os planos encareceram cerca de 140%, enquanto os reajustes aos profissionais somaram pouco mais de 40%. A maioria dos médicos recebe dos planos entre R$ 25 e R$ 40 por consulta e quer que o valor chegue a pelo menos R$ 60.
A paralisação desta quinta-feira é mais um problema para quem paga a conta – os clientes. Ao longo do tempo, os consumidores têm sido obrigados a enfrentar uma série de desafios por conta da tensão entre médicos e planos. O problema
Nos consultórios, o tempo para contar o problema ao médico também diminuiu. Na esteira, os pedidos de exames aumentaram, já que em consultas mais ágeis o diagnóstico clínico perde espaço para a tecnologia, como aponta Márcio Bichara, diretor do setor de saúde suplementar da Federação Nacional dos Médicos (Fenam). Com os baixos honorários, muitos médicos tentam ganhar no volume, aumentando o número de atendimentos. Mas, se por um lado há redução de custos, na outra ponta a conta dos exames cresceu e se tornou motivo de preocupação para os planos.
Constrangimento
A hostilidade entre operadoras e médicos também cria constrangimentos para os pacientes. Durante dois anos, a dona de casa Dênia Gomes de Mello, por exemplo, viajou do Espírito Santo para Belo Horizonte exclusivamente para acompanhar um problema de saúde com o médico de sua confiança. Pronta para marcar uma cirurgia de mama, depois de todos os exames feitos, foi surpreendida pela negativa do médico. No consultório, a paciente diz ter se sentido “em uma espécie de leilão”.
“O médico disse que faria minha cirurgia se eu pagasse R$ 7 mil. Como me recusei a desembolsar o valor, fui forçada a buscar outro profissional”, contou. “Há 10 anos pago por um plano de saúde, quando preciso não posso usá-lo?”, questiona Dênia. Apesar dos baixos honorários, atitudes como a do médico de Dênia são condenadas por entidades que representam a classe. “Se estiver insatisfeito, o médico deve se descredenciar. Não deve cobrar por fora”, diz Lincoln Lopes Ferreira, diretor da Associação Médica de Minas Gerais.
Segundo Bichara, da Federação Nacional dos Médicos, se em 30 dias não houver negociações, um movimento de descredenciamento pode ser iniciado. Marcos Ferraz, diretor do Centro Paulista de Economia da Saúde, defende que equalizar os custos, mantendo a qualidade do atendimento, pode garantir também vida mais longa às operadoras.





