Secretária de Saúde diz que nova mudança da maternidade ‘está fora de pauta’
Havia possibilidade de o setor dedicado ao SUS sair do Hospital Carlos Chagas e retornar novamente para o Hospital Nossa Senhora das Dores

No segundo semestre do ano passado, um assunto dominou as discussões no setor da saúde em Itabira: a possibilidade de uma nova mudança na maternidade que atende pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Já era praticamente certo que o serviço deixaria o Hospital Carlos Chagas (HCC) e retornaria para o Hospital Nossa Senhora das Dores (HNSD). Passados alguns meses, no entanto, a secretária responsável pela pasta no município, Rosana Linhares, afirma que este é um tema vencido e que uma nova alteração “está fora de pauta”.
A maternidade SUS de Itabira foi transferida do HNSD para o HCC em julho de 2016, cerca de dois meses após a Fundação São Francisco Xavier (FSFX), de Ipatinga, assumir o hospital que é totalmente dedicado ao atendimento público. Com a mudança, o Nossa Senhora das Dores negociou com planos de saúde para manter a maternidade exclusiva para a saúde suplementar e partos particulares.
No entanto, em meados do ano passado, o novo governo municipal passou a discutir a possibilidade de voltar com a maternidade como era antes, com todos os serviços concentrados no HNSD. Dois argumentos foram apresentados como principais: o primeiro financeiro, já que o município, em grave crise financeira, justificava que não havia dinheiro e nem partos suficientes em Itabira e região para manter duas maternidades; e o segundo era o perfil filantrópico do HNSD, em risco de ser perdido porque a saída do serviço materno-infantil poderia desfalcar o índice de 60% dedicado ao SUS que instituições com esse título precisam manter.
A proposta gerou muitas discussões desde que foi anunciada. O Ministério Público, por meio da promotora Sílvia Letícia Bernardes Mariosi Amaral, se posicionou fortemente contra a nova alteração. No Conselho de Saúde, houve opiniões diversas. Até uma audiência pública foi realizada para debater o assunto.
O martelo parecia já ter sido batido e até o mês de dezembro do ano passado já havia sido indicado como data para acontecer a mudança. Mas o pensamento mudou. E, segundo a secretária de Saúde, Rosana Linhares, porque as questões financeiras foram equacionadas. “A gente hoje não tem isso mais em pauta. A tratativa desse tema foi muito em função da dívida muito grande que tínhamos no princípio do primeiro semestre do ano passado. Revisamos todas as clínicas para saber como equacionaria alguns recursos. Depois, fizemos acordos financeiros para redução do valor da dívida. Isso facilitou para que essa mudança saísse de pauta”, comentou a titular da pasta, durante entrevista à imprensa no evento que comemorou os dois anos da FSFX em Itabira.
Também questionado sobre a mudança que agora foi tirada de pauta, o diretor-executivo da FSFX, Luís Márcio Araújo Ramos, afirmou que a entidade é uma prestadora de serviço e que acata o que for definido pelo município, já que o Carlos Chagas é um hospital totalmente dedicado ao SUS. “E eu tenho plena convicção de que o prefeito Ronaldo (Magalhães) e a secretária Rosana estão buscando o que é melhor para o cidadão. A gente faz a nossa parte, que é ter um cuidado materno-infantil de altíssima qualidade, buscando aplicar as melhores técnicas e incentivar o parto natural. E é isso que a gente tem feito. Estamos trabalhando em conjunto com essa perspectiva, de implantar o que é melhor para o cidadão”, respondeu.
Já o HNSD também confirmou que não há mais tratativas para alteração na maternidade. Por meio de sua Assessoria de Imprensa, a casa de saúde afirmou que “a Secretaria de Saúde retirou de pauta uma possível mudança da maternidade SUS para o HNSD. Então não há mais conversas nesse sentido”.





