Cirurgias cardiovasculares via SUS no HNSD ainda esbarram em entraves burocráticos

Pleito antigo do Hospital Nossa Senhora das Dores (HNSD), o credenciamento de cirurgias cardiovasculares junto ao Sistema Único de Saúde (SUS) ainda esbarra em entraves burocráticos. O processo de realização de procedimentos em alta complexidade praticamente voltou à estaca zero depois que o Governo de Minas Gerais desautorizou a instituição a realizar um dos três […]

Cirurgias cardiovasculares via SUS no HNSD ainda esbarram em entraves burocráticos
Hospital Nossa Senhora das Dores (HNSD) busca credenciamento para cirurgias cardiovasculares – Foto: DeFato

Pleito antigo do Hospital Nossa Senhora das Dores (HNSD), o credenciamento de cirurgias cardiovasculares junto ao Sistema Único de Saúde (SUS) ainda esbarra em entraves burocráticos. O processo de realização de procedimentos em alta complexidade praticamente voltou à estaca zero depois que o Governo de Minas Gerais desautorizou a instituição a realizar um dos três serviços que eram requeridos pelo hospital itabirano.

Ministério da Saúde vistoria HNSD para continuidade do projeto de implantação da radioterapia
HNSD entrega em setembro novo Pronto Atendimento para usuários de planos de saúde

Em documento encaminhado à direção do HNSD, a Secretaria de Estado de Saúde autorizou o hospital a realizar as Cirurgias Cardiovasculares e procedimentos da Cardiologia Intervencionista. No entanto, foi desfavorável à habilitação para a Cirurgia Vascular, que também era requerida pela instituição. A análise leva em conta questões técnicas e estruturais, tanto do hospital quanto do município, assim como expectativa de atendimentos e população a ser atendida.

De acordo com o diretor-executivo do HNSD, Alexandre Coelho, a partir da manifestação do estado, o processo de credenciamento tem que iniciar todo de novo, inclusive com novos estudos de viabilidade. “É um processo bem burocrático, mas é uma realidade que o hospital quer abraçar para pegar este pleito de alta complexidade”, comenta.

“Fizemos a manifestação e o estado deu um parecer no qual ele viabilizou quais tratamentos da cirurgia cardiovascular podem ser realizados em Itabira. A partir da devolução deste documento, a gente tem que dar início novamente aos trâmites junto ao município, GRS (Gerência Regional de Saúde) e União. Esse pleito leva em consideração o que o Estado indicou que Itabira tem capacidade para oferecer e os recursos financeiros das esferas estadual e federal para custear estes serviços”, disse Alexandre Coelho.

Em agosto do ano passado, durante evento no HNSD, o provedor do hospital, Vaquimar Vaz, afirmou que o credenciamento para cirurgias cardiovasculares poderia render até R$ 4 milhões de repasses anuais ao Nossa Senhora das Dores.

Capacidade técnica

O presidente da Irmandade Nossa Senhora das Dores, bispo Marco Aurélio Gubiotti, afirma que o hospital mantido pela entidade hoje já possui estrutura e capacidade técnica para realizar as cirurgias cardiovasculares. O que falta é o dinheiro para estender à população que não pode pagar pelo procedimento.  

“Temos totais condições de realizar os serviços de alta complexidade na área de cirurgias cardiovasculares. Ainda não temos o credenciamento, mas temos já equipe técnica e condições logísticas. Esperamos que os poderes públicos reconheçam essa capacidade”, comentou em entrevista a DeFato Online após a missa de 160 anos do HNSD.  

Da mesma forma, o ex-provedor e atual membro do Conselho Fiscal da Mesa Administrativa do HNSD, Márcio Labruna, também defende a capacidade técnica da instituição. Ele cita que as doenças coronárias são as que mais letais atualmente, o que justifica o pleito do hospital em oferecer o procedimento via SUS.

“Hoje nós já podemos fazer particularmente. Nós já temos condições de fazer grande parte das cirurgias aqui, mas tem que ser pago. O nosso centro cirúrgico e o nosso corpo técnico têm essa capacidade. Mas, para ser algo público, é preciso haver este credenciamento. Sabemos que hoje o que mais mata é o coração. É o campeão de mortalidade. Então, temos mesmo que investir muito nessa área de cirurgia cardiovascular”, afirma.