Candidata ao governo de MG, Indira Xavier defende maior controle sobre mineração durante agenda em Itabira
Segundo Indira, o Estado deveria assumir maior controle sobre a atividade e criar mecanismos para que as comunidades participem das decisões sobre os empreendimentos que afetam seus territórios

Candidata da Unidade Popular (UP) ao governo de Minas Gerais, Indira Xavier esteve em Itabira nesta quarta-feira (16) para uma agenda de campanha com panfletagem e conversa com moradores e trabalhadores no Centro da cidade. A atividade ocorreu durante a manhã e início da tarde, antes da candidata seguir para João Monlevade.
Indira Xavier tem 42 anos, é natural de Maceió (AL) e disputa novamente o governo de Minas pela UP. Ela já havia sido candidata ao cargo em 2022 e, em 2024, disputou a Prefeitura de Belo Horizonte. Pela manhã, a candidata se reuniu com representantes do Sindicato dos Trabalhadores Servidores Públicos Municipais de Itabira (Sintsepmi) e depois saiu em caminhada pelo Terminal Rodoviário Genaro Mafra, avenida João Pinheiro e outros pontos da região central do município. Durante a agenda, ela esteve acompanhada de Fidélis Alcântara, candidato ao Senado, e as candidatas a deputada estadual e federal, Íris Raquel e Helena Lara.
Esta foi a primeira vez que Indira esteve em Itabira durante a campanha. Segundo ela, a passagem pela cidade tinha como objetivo aproximar a candidatura da população e apresentar suas propostas diretamente nas ruas, especialmente aos trabalhadores que, segundo ela, não podem acompanhar a campanha pelos meios tradicionais ou pelas redes sociais.
Entre os principais temas abordados pela candidata esteve a mineração. Em Itabira, cidade cuja história e economia estão diretamente relacionadas à atividade minerária, Indira defendeu mudanças na forma como o setor é controlado e explorado em Minas Gerais. “Nós precisamos enfrentar essa mineração predatória”, afirmou. Segundo ela, o Estado deveria assumir maior controle sobre a atividade e criar mecanismos para que as comunidades participem das decisões sobre os empreendimentos que afetam seus territórios.
Indira também defendeu a criação de uma empresa estatal para atuar no setor mineral. A proposta, segundo a candidata, seria permitir que a exploração ocorra sob controle público, quando considerada necessária, com critérios de sustentabilidade e participação das populações atingidas. “Defendemos a criação de uma estatal para que, se for necessário minerar, que seja de forma sustentável, que seja com o consentimento das populações”, disse.
Indira ainda afirmou que pretende criar conselhos populares com poder de decisão para avaliar os impactos dos empreendimentos nos territórios. Para a representante da UP , a população deve participar da definição sobre a instalação e o funcionamento de projetos de exploração mineral.
“Por isso criar os conselhos populares que tenham poder de decisão para poder aferir quais são os impactos reais nos territórios”, afirmou.
Ao tratar especificamente da realidade de Itabira, Indira relacionou a discussão sobre a mineração ao histórico do município e aos impactos acumulados pela atividade. A candidata afirmou que a cidade está entre os territórios que convivem há décadas com os efeitos da exploração mineral e o debate não deve se limitar à arrecadação gerada pela mineração, mas também considerar os impactos ambientais, sociais e sobre a infraestrutura das regiões mineradoras.
Outro ponto levantado pela candidata foi a utilização dos recursos minerais – sobretudo as “terras raras” – e a relação entre a mineração e os interesses econômicos e geopolíticos, defendendo que Minas Gerais tenha maior autonomia sobre as riquezas extraídas de seu território. “Minas Gerais precisa ter autonomia e ter soberania sobre o seu minério”, declarou.
Em tempo: Além da mineração, Indira apresentou propostas relacionadas ao trabalho e aos serviços públicos. Entre elas estão o aumento do salário mínimo em 100% e a redução da jornada de trabalho, com o fim da escala 6×1. A candidata também defendeu uma auditoria das dívidas públicas de Minas Gerais para identificar sua origem e avaliar quais compromissos poderiam ser revistos, com o objetivo de ampliar os recursos destinados a investimentos sociais e à valorização dos servidores públicos.