Carlos Drummond 116 anos: orgulho que ultrapassa gerações
Ao 31º dia de outubro do ano de 1902 nascia na antiga Itabira do Mato Dentro o nono filho do tradicional fazendeiro Carlos de Paula Andrade e Julieta Augusta Drummond Andrade. Carlos Drummond Andrade, garoto introvertido, míope e dedicado cursou os primeiros anos de estudo na cidade do minério e mudou-se para Belo Horizonte no […]

Ao 31º dia de outubro do ano de 1902 nascia na antiga Itabira do Mato Dentro o nono filho do tradicional fazendeiro Carlos de Paula Andrade e Julieta Augusta Drummond Andrade. Carlos Drummond Andrade, garoto introvertido, míope e dedicado cursou os primeiros anos de estudo na cidade do minério e mudou-se para Belo Horizonte no ano de 1920, aos 18 anos.
Drummond graduou-se mais tarde em Farmácia, mas sempre demonstrou apelo às palavras. Mesmo longe de Itabira, o já então conhecido “Grande poeta brasileiro” dedicou incontáveis obras à cidade. A saudade, as paisagens, as lembranças itabiranas se fazem presentes a cada verso do poeta.
“Confidência do Itabirano” é prova disso. Logo em sua primeira estrofe, Carlos exalta a importância não só de ter vivido em Itabira, mas de ter nascido e se tornado forte como a matéria prima obtida na cidade: o ferro.
Alguns anos vivi em Itabira.
Principalmente nasci em Itabira.
Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.
Noventa por cento de ferro nas calçadas.
Oitenta por cento de ferro nas almas.
E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação.
(Versos do poema Confidência do Itabirano)
História, resgate e legado
Drummond, que é um dos maiores poetas do país, desperta não só nos adultos o orgulho de ser itabirano, mas também nas crianças, que falam sobre o artista com brilho nos olhos. As escolas desempenham um papel fundamental na relação entre os alunos e as obras do autor.
Aos 9 anos, o pequeno João Vitor Ferreira confirma o seu gosto pela literatura e em especial por Carlos Drummond. “Ele tem vários poemas divertidos de recitar, eu conheci na escola e gosto muito”, disse.

Já Raquel Rosa, de 10 anos, mostra grande empolgação quando comenta que o poeta, assim como ela, é nascido em Itabira. “Saber que Drummond nasceu aqui e poder conhecer os caminhos que ele passou é muito importante”, disse. A garota ainda reforça que conhece muitos dos poemas do escritor.

A professora Fabiana Gomes Madeira contou a DeFato Online que trabalha diversos poemas do itabirano ao longo do ano e que percebe claramente nos alunos a curiosidade e a satisfação a cada nova obra apresentada. “A cada vez que a gente conhece um poema diferente, a gente se apaixona mais por ele e eu consigo ver esse interesse nos meus alunos. Outro dia um estudante me pediu pra apresentar a ele todos os poemas de Drummond e eu expliquei que não era possível, porque existem muitos. Eles se divertem, decoraram alguns poemas para apresentar ao público e fazem isso por prazer, não é porque a gente pede. Quando levo algum poema sempre pedem para apresentar para a escola. Eles tem orgulho de conhecer Drummond”, fala.

Dentre a programação do 2º Festival Drummond e 17ª Semana Drummondiana, realizado em homenagem ao aniversário do poeta, as professoras e contadoras de história Josiane Silva e Edilene Rocha, da “Cia Alecrim Histórias Sem Fim” levaram às crianças participantes clássicos contos, cantos e cantigas infantis.

“Drummond é eterno com suas belas poesias. Recebemos várias escolas e é muito legal ver que eles sabem os poemas, que recitam, e que gostam. Isso é muito importante para a gente. Plantamos essa sementinha e esperamos que frutifique. No futuro serão leitores da boa literatura e não vão permitir nunca que esse legado que ele deixou, morra. Estamos na terra do poeta maior, é com muito orgulho que dizemos isso. Em um mundo cada vez mais tecnológico não podemos perder o poder da palavra”, finalizou Josiane.