Carnaval de BH 2026 terá aumento de 7% no investimento; blocos comemoram, mas pedem critérios mais justos na seleção

Edital da Belotur prevê R$ 3,21 milhões em recursos; representantes do Baianas Ozadas e Havayanas Usadas destacam importância do reajuste, mas pedem mais previsibilidade e valorização dos blocos locais

Carnaval de BH 2026 terá aumento de 7% no investimento; blocos comemoram, mas pedem critérios mais justos na seleção
Foto: Daniel Cerqueira/área de serviço/@carnavaldebh

O investimento da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) no Carnaval de 2026 será 7% maior em relação ao ano passado, totalizando R$ 3,21 milhões. As inscrições para o auxílio financeiro aos blocos de rua já estão abertas e seguem até o dia 29 de outubro. O edital, publicado pela Belotur, prevê repasses entre R$ 14,6 mil e R$ 41,5 mil, conforme a categoria do bloco.

Somente os grupos oficialmente cadastrados na prefeitura poderão solicitar o recurso, que será distribuído nas seguintes faixas:

  • Categoria A: R$ 41,5 mil (até 50 blocos)

  • Categoria B: R$ 24,1 mil (até 35 blocos)

  • Categoria C: R$ 14,6 mil (até 20 blocos)

A entrega da documentação deve ser feita presencialmente na sede da Belotur (Rua Espírito Santo, 527, Centro), das 9h às 12h e das 14h às 17h. O edital completo está disponível no portal da PBH.

“Aumento importante, mas ainda há desafios”, diz Geo Ozado, do Baianas Ozadas

Um dos maiores blocos de rua de Belo Horizonte, o Baianas Ozadas, comemorou o reajuste da subvenção, mas ponderou que o valor ainda não cobre integralmente os custos das grandes estruturas exigidas para desfiles de grande porte.

O fundador do bloco, Geo Ozado, destacou que o aumento foi bem-vindo e representa uma melhora significativa em relação aos anos anteriores.

“A gente celebra esse aumento porque o que vinha sendo pago era irrisório, praticamente simbólico, se comparado aos custos reais de um bloco grande. Só para cumprir as exigências técnicas do Corpo de Bombeiros, como o isolamento com cordas e a estrutura de segurança, o gasto é altíssimo”, afirmou.

Segundo ele, blocos como o Baianas Ozadas movimentam centenas de profissionais e têm uma estrutura comparável à de grandes eventos:

“São dois trios elétricos, alas de dança, bateria, equipe técnica, segurança, comunicação, produção… É um evento completo. Então, esse reajuste ajuda bastante, principalmente os blocos menores, que agora podem ter mais fôlego para manter suas atividades.”

Apesar do avanço, Geo Ozado também chamou atenção para a forma como a Belotur define as categorias de blocos (A, B e C), defendendo que os critérios de seleção devem ser mais transparentes e representativos.

“Não cabe aos blocos se autoavaliar. Essa categorização é papel do poder público, que deve considerar não só o tamanho, mas também a trajetória, o impacto cultural e o papel social de cada grupo”, argumentou.
“O edital precisa ser justo, não se limitar apenas a critérios técnicos. É essencial valorizar a inclusão, a diversidade e a pluralidade do nosso Carnaval.”

Havayanas Usadas: “É uma ajuda pequena, mas seguimos firmes”

O Havayanas Usadas, outro dos blocos mais queridos e democráticos de Belo Horizonte, também confirmou participação no edital deste ano. O fundador, Heleno Augusto, ressaltou que o auxílio municipal ajuda, mas ainda representa uma pequena parte do orçamento total.

“Pra alguns blocos, o recurso contempla o Carnaval por inteiro. Em blocos com a estrutura do Havayanas Usadas, é uma ajuda pequena”, afirmou.

Heleno explicou que os principais gastos incluem som, segurança, trio elétrico, logística, decoração, direção artística, redes sociais, cachês, produção e figurinos.

“Sempre tivemos cuidado com segurança e acessibilidade. Mantemos uma estrutura pensada para o grande público e buscamos manter o clima familiar que é a marca do bloco”, completou.

Sobre o diálogo com a PBH, ele avaliou que há avanços:

“A prefeitura tem mantido um diálogo aberto com os blocos independentes, o que é importante. Mas o recurso poderia ser bem maior e, principalmente, estar disponível mais cedo, por exemplo em setembro, pra permitir um Carnaval com mais tranquilidade, planejamento e organização.”

Heleno também adiantou que o bloco prepara novidades no repertório e nas parcerias para 2026.

“Estamos com oficinas semanais de percussão desde abril. Vai ser uma grande festa”, antecipou.

“Proteger o Carnaval de BH é proteger sua história”

Para Geo Ozado, o maior desafio da festa nos próximos anos é garantir que o Carnaval belo-horizontino não perca sua identidade diante da crescente presença de grandes eventos e artistas de fora.

“Não sou contra a vinda de artistas de outros estados, mas eles devem estar aqui como convidados dos blocos locais, não substituindo quem construiu esse Carnaval”, defendeu.
“Precisamos valorizar os artistas e produtores da cidade. O Carnaval de BH é resultado de muito trabalho coletivo, e essa história precisa ser respeitada.”

Outros blocos foram procurados

Os blocos Então, Brilha! e Beiço do Wando também foram procurados pela reportagem do portal De Fato Online para comentar o aumento da subvenção e o novo edital da Belotur.
Até o momento, não houve retorno. A matéria será atualizada assim que as respostas forem enviadas.

Edital segue aberto até o fim de outubro

Os representantes dos blocos interessados devem ficar atentos aos prazos e requisitos do edital. A entrega da documentação ocorre até 29 de outubro, e o processo de seleção será conduzido pela Belotur, responsável pela organização oficial do Carnaval de Belo Horizonte.

O aumento do investimento reforça o compromisso da prefeitura com o evento, que se consolidou como um dos maiores carnavais de rua do país, movimentando milhares de foliões e a economia criativa da capital mineira.

[Leiamais1}