Casal quer processar Vale por ter festa de casamento interrompida após toque equivocado de sirene

Atualizada às 14h40 do dia 10 de abril para acréscimo de posicionamento da Vale. O dia de 22 de março deste ano era para ser uma data de felicidade inesquecível para o casal Ananeria e Breno, de São Gonçalo do Rio Abaixo. Depois de dez anos de relacionamento, os dois celebraram o casamento naquela noite. […]

Casal quer processar Vale por ter festa de casamento interrompida após toque equivocado de sirene
Umas dos poucos registros guardados pelo casal

Atualizada às 14h40 do dia 10 de abril para acréscimo de posicionamento da Vale.

O dia de 22 de março deste ano era para ser uma data de felicidade inesquecível para o casal Ananeria e Breno, de São Gonçalo do Rio Abaixo. Depois de dez anos de relacionamento, os dois celebraram o casamento naquela noite. No entanto,em vez de alegria, as lembranças que guardam é de tristeza e susto. No momento em que iriam começar a festa, tiveram de sair correndo, juntos com os convidados, por causa do toque da sirene da Vale anunciando o rompimento da barragem da mina de Brucutu. Somente muitos minutos depois, o casal e toda a população são-gonçalense descobriram que o alerta foi um “erro técnico” da mineradora. Naquela noite, a sirene era para tocar apenas em Barão de Cocais, onde o nível de alerta da barragem Sul Superior, da Mina de Gongo Soco, foi elevado para o nível 3 de risco de rompimento. O casal estuda agora uma ação de indenização contra a Vale.

“Foi tudo muito rápido, tínhamos acabado de servir o jantar. Estava na cozinha e me disseram para esperar confirmar se era verdade. Quando saí na rua, havia um tumulto, vários carros e uma pessoa de moto disse para correr porque a lama já tinha chegado no bairro Recreio, cinco minutos de onde estávamos”, relata a noiva Ananeria Tocedo da Cruz, 24, estudante de educação física. A festa de casamento acontecia no Curral Grill Restaurante, onde haviam cerca de 150 convidados.

Desespero

“As pessoas correram muito. Vi meu avô que é de idade com dificuldade para andar correndo apavorado. Minha amiga foi atravessar a rua carregando o filho no colo e caiu. Muito triste ver todas as pessoas que estavam ali para comemorar conosco, fugir chorando e traumatizadas. Uma das crianças dizia para a mãe para não deixá-la morrer”, lembra Ananeria.

Ananeria conta que, assim que compreendeu a gravidade do que estava sendo anunciado, começou a organizar as pessoas a procuraram um ponto alto para se protegerem da lama. O local de comemoração foi evacuado. Na correria, os noivos deixaram para trás não apenas a festa, mas todos os presentes que haviam recebido. “Roubaram todos os nossos presentes, os doces. Só não levaram o bolo, que nem chegou a ser cortado, porque era pesado. Um dia preparado para ser especial e terminou em desastre”, lamenta. Mesmo sem a festa como planejado, o casal teve de arcar com todos os custos do evento: aluguel do espaço, decoração e o buffet. Ananeria conta que também não conseguiu fazer o álbum de fotos. Como o casamento foi somente no cartório, os retratos do casal seriam tirados durante a festa.

Indenização

Alguns dias após o ocorrido, o casal procurou a Polícia Civil da cidade para registrar uma queixa, pois quer ser indenizado pela Vale tanto pelos prejuízos financeiros quanto pelos danos morais. Na delegacia, Ananeria disse que foi orientada a procurar um advogado. Atualmente, ela e o marido estudam como irão dar início ao processo. “Até agora não recebemos nem um pedido de desculpas”, declarou.

Posicionamento

A Vale emitiu posicionamento após publicação da matéria sobre os transtornos no casamento. Leia, na íntegra, a nota encaminhada a DeFato Online:

“Simultaneamente ao acionamento da sirene em Barão de Cocais, na noite  de 22/3, foi disparado um alarme nas proximidades da mina de Brucutu, em Minas Gerais. A Vale reitera que o erro foi corrigido e certificou que os acionamentos das sirenes de suas barragens estão independentes. A empresa lamenta os transtornos causados e pede desculpas à comunidade de São Gonçalo do Rio Abaixo.”