Caso Backer: sócios da cervejaria depõem e alegam desconhecer contaminação

Outros sete acusados também devem ser ouvidos nesta semana

Caso Backer: sócios da cervejaria depõem e alegam desconhecer contaminação
Cerveja Belorizontina, uma das que tinha a presença do dietilenoglicol – Foto: Marcos Vieira/EM/DA Press

Três sócios da cervejaria Backer foram ouvidos na tarde dessa terça-feira (28), no Fórum Lafayette, em Belo Horizonte. A empresa é apontada como responsável pela intoxicação de 19 pessoas e pela morte de outras dez, que consumiram a cerveja Belorizontina. Os casos que vieram à tona no ano de 2020.

Os três réus teriam envolvimento direto com a produção da cerveja Belorizontina, contaminada com dietileno e monoetilenoglicol, substâncias tóxicas a humanos e animais. Apesar disso, em juízo, Ana Paula Lebbos, Hayan e Munir Franco Khalil Lebbos afirmaram que não tinham conhecimento ou participação na produção da cerveja. Outros sete acusados também devem ser ouvidos nesta semana.

De acordo com a assessoria do Fórum Lafayette, a primeira testemunha ouvida foi a diretora de marketing da empresa, Ana Paula Lebbos. Em depoimento, a sócia-proprietária da Backer alegou que não tinha contato com o parque industrial e que atuava somente na divulgação e publicidade dos produtos.

Ana Paula ainda relatou que, quando a empresa foi notificada pelo Ministério da Agricultura sobre a possível contaminação, o departamento que chefiava acionou a imprensa para que a população ficasse ciente dos riscos.

A diretora de marketing Ana Paula é acusada de corromper, adulterar, falsificar ou alterar produto alimentício destinado a consumo; deixar de comunicar à autoridade competente e aos consumidores a nocividade de produtos de consumo, cujo conhecimento seja posterior à sua colocação no mercado.

Em seguida foram ouvidos os irmãos Hayan e Munir Franco Khalil Lebbos, também proprietários da empresa. Apesar dos depoimentos terem sido prestados separadamente, ambos afirmaram que não tinham funções na cervejaria.

Munir alegou que era responsável pelos cinco restaurantes da família e que, apesar do Templo Cervejeiro estar no mesmo terreno que a cervejaria, não frequentava a fábrica. Já Hayan informou que na época dos fatos não trabalhava na empresa porque estava estudando. Ele explicou que se tornou proprietário ao herdar a sociedade da mãe e que apenas comparecia no local quando seu pai lhe pedia para assinar algum documento.

*Com Estado de Minas