Ceará: gigante coreana pede falência, deixa passivo bilionário e R$ 110 na conta corrente
A empresa não tem sede ativa no Brasil e declarou não haver perspectivas de novos recursos nem continuidade empresarial
A Posco Engenharia e Construção do Brasil, responsável pela construção da usina siderúrgica do Pecém, solicitou falência à Justiça do Ceará informando não ter recursos para saldar débitos que podem alcançar R$ 1 bilhão.
As informações foram divulgadas pelo portal UOL.
No processo, a companhia alegou possuir menos de R$ 110 em conta- corrente, aplicações financeiras de cerda de R$ 5 mil, um terreno avaliado em pouco mais de R$ 1 milhão e um automóvel que não funciona, um passivo elevado e uma crise sem possibilidade de reversão.
A Posco reconheceu obrigações de R$ 644 milhões, concentradas em créditos trabalhistas e tributários; valores contestados pelo credores, que informam valores não incluídos na relação exposta.
Um dos pontos de discórdia envolve débitos com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, que pede revisão o montante informado.
Também a Receita Federal e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) se encontram entre os credores.
Informação do UOL afirma que o advogado Frederico Costa, presidente da associação que reúne credores da Posco, sustenta que a dívida tributária da empresa coreana supera R$ 200 milhões, que a empresa não abriu canais de negociação e apresentou dados inferiores ao passivo real.
A Campelo Costa Sociedade de Advogados, com sede na capital cearense, é uma das principais credoras.
A empresa obteve decisões em câmaras arbitrais e, em primeira instância, conseguiu a desconsideração da personalidade jurídica, o que permite a cobrança contra a matriz sul-coreana e a holding internacional do grupo, que permite que com o trânsito em julgado, a execução possa ocorrer em países onde o grupo mantém operações.
A CSP iniciou operação em 2016, depois de um contrato avaliado em US$ 540 milhões, pago integralmente à construtora.
O empreendimento passou ao controle da Arcelor Mittal em 2023, em operação de mais de US$ 2 bilhões.
A Posco Engenharia e Construção do Brasil iniciou atividades em 2011, sob controle da Posco Engineering & Construction Co,, sediada na Coreia do Sul.
No pedido judicial, a companhia informou que tentou manter sua atuação no país, sem sucesso, citando a não execução da segunda fase da CSP como fator para o encerramento das suas atividades.
A empresa não tem sede ativa no Brasil e declarou não haver perspectivas de novos recursos nem continuidade empresarial, o que faz com que credores avaliem pedir a anulação da falência, retornando as cobranças às varas de origem.
A administradora judicial Farias e Lucena Serviços Administrativos atribui a falência da Posco a fatores como aumento dos custos do projeto, a recessão econômica no Brasil entre 2014 e 2016, a falta de contratos a partir de 2018, o cenário do setor siderúrgico e a pandemia.
A empresa protocolou uma manifestação em 2025 afirmando não identificar responsabilidade civil nem penal dos administradores, análise rejeitada pelos credores.
Para Frederico Costa, a obra recebeu pagamento integral e a empresa já sabia que teria apenas uma operação no país e que os recursos foram remetidos às controladoras no exterior, o que teria afetado fornecedores e trabalhadores locais.