Cenipa divulga relatório sobre queda do helicóptero Arcanjo 4 em Ouro Preto
A reconstituição dos fatos baseou-se em dois registros em vídeo, sendo um deles gravado a partir do interior da própria aeronave
O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) divulgou, nesta quarta-feira (28), o relatório final sobre a queda do helicóptero Arcanjo 4, do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG). O acidente, ocorrido em 11 de outubro de 2024 na Serra do Amolar, em Ouro Preto, resultou na morte de seis pessoas. Segundo o documento, a aeronave decolou com visibilidade estimada em 180 metros, índice abaixo do mínimo regulamentar de 1km exigido para voos visuais.
A equipe havia comparecido a Ouro Preto para prestar atendimento em uma ocorrência de queda de avião monomotor. Morreram no acidente o capitão Wilker Tadeu Alves da Silva, o tenente Victor Stehling Schirmer, os sargentos Welerson Gonçalves Filgueiros e Gabriel Ferreira Lima e Silva, o médico Marcos Rodrigo Trindade e o enfermeiro Bruno Sudário França, do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
A reconstituição dos fatos baseou-se em dois registros em vídeo, sendo um deles gravado a partir do interior da própria aeronave. O helicóptero decolou de um trevo rodoviário por volta das 17h45 e entrou em uma densa camada de nuvens. Cerca de 30 segundos após a decolagem, a tripulação perdeu o contato visual com o solo e, aos 56 segundos de voo, a aeronave colidiu contra o terreno rochoso da serra.
A ocorrência foi classificada tecnicamente como voo controlado contra o terreno, situação em que a aeronave colide com o solo ou obstáculo sem percepção prévia da ameaça a tempo de evitar o impacto.
O relatório aponta que fatores meteorológicos adversos, a decisão de decolar e a avaliação inadequada de riscos contribuíram para o desfecho. Antes da partida, a equipe permaneceu em solo aguardando condições favoráveis.
A aproximação do pôr do sol e uma ligeira melhora momentânea no tempo podem ter induzido a tripulação a interpretar a janela como a última oportunidade de retorno aéreo para a base em Belo Horizonte.
A investigação identificou ainda aspectos organizacionais e operacionais na unidade aérea. Os dois pilotos acumulavam atribuições administrativas e operacionais, apresentando indícios de estafa nos dias anteriores.
Além disso, a tripulação não participou do ciclo de 2023 do treinamento de Gerenciamento de Recursos da Tripulação (CRM), voltado para a comunicação e tomada de decisões coletivas sob risco, o qual não era tratado como obrigatório na unidade à época.
O Cenipa ressaltou que a aeronave estava com a manutenção em dia, com peso e balanceamento regulares e com a documentação de aeronavegabilidade válida. Por ter caráter estritamente preventivo, o relatório do órgão não estabelece responsabilidades civis, administrativas ou criminais.
Entre as recomendações emitidas, o Cenipa orientou a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) a reforçar diretrizes sobre treinamento e gestão de risco em unidades aéreas públicas. Após o evento, o Corpo de Bombeiros adotou reestruturações em suas escalas operacionais, apoio psicológico contínuo e revisão de protocolos de segurança.