Centrais sindicais querem mínimo de R$ 580 em 2011

As centrais sindicais apresentaram ontem ao relator do orçamento da União de 2011, senador Gim Argello (PTB-DF), o pedido para o reajuste do salário mínimo dos atuais R$ 510 para R$ 580 no ano que vem. Os sindicalistas afirmam que, como há uma sobra de R$ 17 bilhões na proposta orçamentária de 2011, há espaço […]

As centrais sindicais apresentaram ontem ao relator do orçamento da União de 2011, senador Gim Argello (PTB-DF), o pedido para o reajuste do salário mínimo dos atuais R$ 510 para R$ 580 no ano que vem. Os sindicalistas afirmam que, como há uma sobra de R$ 17 bilhões na proposta orçamentária de 2011, há espaço para o valor do mínimo crescer além dos cerca de R$ 540 previstos pelo governo federal.

"Achamos que o orçamento tem dinheiro sobrando, que tem que ir para as pessoas que mais precisam que são os aposentados e quem ganha o salário mínimo. Vamos jogar tudo na negociação", disse o presidente da Força Sindical, deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (PDT-SP).

Já o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, disse ontem ser possível estabelecer para 2011 um salário mínimo de R$ 570. "O governo fala em R$ 550. Acho que vai ficar entre R$ 560 ou R$ 570, dependendo dos estudos técnicos. Dificilmente vai ficar menor do que isso", afirmou Lupi, após participar da cerimônia de 80 anos da Revolução de 1930. O evento era em homenagem ao ex-presidente Getúlio Vargas.

Gim Argello afirmou que vai atuar como intermediário entre as centrais e o governo para chegar a um reajuste "possível" em 2011. O relator vai se reunir na semana que vem com o presidente Lula e a presidente eleita, Dilma Rousseff (PT), para apresentar as demandas.

"Os pedidos foram os mais variáveis possíveis, teve pedido de R$ 560, R$ 580, R$ 600. Nós queremos o máximo possível. Vai ser o que for real. Se a realidade permitir e nós pudermos aumentar para R$ 550, vai ser. Se puder ser mais, vai ser. Vamos discutir isso", avisou o parlamentar.

O relator recebeu ontem o relatório que prevê receita extra de R$ 17,7 bilhões no orçamento de 2011, mas disse que já tem pedidos superiores aos R$ 30 bilhões – por isso, não necessariamente a sobra vai para o mínimo. "Há várias outras demandas importantes que devem ser atendidas".

O relator declarou ainda acreditar na melhoria no valor do mínimo uma vez que, no ano passado, o PIB ficou negativo. "Por isso não teve aumento. Então, isso tem que ser avaliado. Para cada R$ 1 que sobe o mínimo, sobe R$ 286,4 milhões. É só fazer a conta para ver se tem dinheiro", explicou.

Além do reajuste do mínimo, o relator prometeu às centrais negociar conjuntamente o aumento nos salários dos aposentados. A Força Sindical defende a correção das aposentadorias e pensões em até 80%.

Estratégia

Reajuste. Para convencer a oposição, os representantes das centrais sindicais vão trabalhar no Congresso com o valor de R$ 600 para o mínimo, prometido pelo tucano José Serra na campanha presidencial.

Entenda

Estado. Atualmente, o salário mínimo é de R$ 510 e o governo, inicialmente, quer aumentá-lo para R$ 540.

Acréscimo. A Comissão Mista de Orçamento revisou o projeto de lei orçamentário de 2011 e ampliou em R$ 17,7 bilhões a receita.

Sindicatos. Baseado nessa estimativa, as centrais sindicais reivindicam que o mínimo vá a R$ 580.

Ideia. Além disso, as centrais propõem que o governo não utilize como índice de referência a variação do PIB de 2009 (que foi negativa) e use o crescimento deste ano, estimado em 7,5%, para dar o reajuste para 2011.