CEO de empresa enfrenta preconceito por ser mulher e negra
A empresária se orgulha de ser a primeira mulher negra dona de uma construtora no Brasil
Helen Moraes (51), CEO da holding HB Brasil Incorporadora e Construtora, fundada por ela, em 2020, tem seu escritório no bairro de Higienópolis (SP) e enfrenta no dia a dia, o fato de ser mulher e negra, à frente de uma empresa que fatura cerca de R$50 milhões ano.
Helen conta que, pior que chegar em casa tarde da noite, de salto alto e encarar mais trabalho ao computador noite adentro, é aguentar o olhar de desdém de cima abaixo.
“Onde que essa mulher é dona de alguma coisa”?”Esse é o pensamento preconceituoso no meio empresarial do país”, diz.
Helen diz se orgulhar por ser a primeira mulher negra dona de uma incorporadora e construtora no Brasil, mas, ressalta que “não quer ser a única, não me abalo, mas as pessoas têm que acostumar a nos ver nesses espaços”.
A HB Brasil oferece dois serviços: regularização fundiária e construção de baixa renda, ” oportuniza moradia digna”, diz.
Helen explica que, além de ajudar a legitimar e levar infraestrutura a terrenos irregulares, como ocupações e quilombolas, ela está construindo imóveis dentro da faixa 2 do Programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) que serão entregues com linha branca e mobiliário essencial.
“A pessoa sai da favela e leva o fogão destruído, o colchão sujo, a geladeira enferrujada, faz o lençol de cortina. Poxa, com mais 25 mil no preço final, você coloca armário na cozinha, guarda-roupa, geladeira, fogão, microondas, máquina de lavar e a conta fecha”.
Na faixa 2, famílias com renda até R$ 2.640 e R$ 4.400 conseguem financiar imóveis de até R$ 264 mil pelo programa do governo federal.
“Prefiro ganhar um percentual menor de lucro e colocar a cabeça no travesseiro e pensar, ‘uau, realizei um grande feito, deixei um legado”.
Helen conta que seus pais não tinham casa própria e, na sua infância, quase foram despejados.
Advogada por formação, paulistana, chegou a trabalhar com assistência social e reparação.
Em 2006, foi para Alagoinhas, na Bahia, resolver um processo de regularização fundiária envolvendo a Petrobras, atuando com legitimação de territórios quilombolas, ajudando mais de 3 mil famílias a acessarem o MCMV.
A coordenadora do Núcleo das Escolas Quilombolas de Alagoinhas, Dulcineide dos Santos Bispo, afirma que “foi ela quem buscou recursos federais para as primeiras unidades do Minha Casa, Minha Vida aqui na cidade. Ela é boa no que faz.”
A experiência e R$ 2 milhões que ela juntou com os processo pelo seu escritório, conseguiu fundar a Habita Reurb, que alcançou em 2023, receitia de R$ 7 milhões e atua intermediando conflitos pela posse de terra em cerca de 20 municípios.
Em 2020, criou a extensão da construção a partir da compra de áreas remanescentes dos acordos judiciais. Sete projetos estão em andamento, com previsão de entrega da primeira unidade em 2026, com parcelas que vão desde R$ 600 a R$800.
Serão 24 meses para a entrega,período em que a HB vai dar orientação financeira a cerca de 120 profissionais da área.
Helen diz que sofreu racismo em São Paulo, Minas Gerais e na Bahia e que em Itatiba chegou a desistir da compra de um terreno.
“Meu gerente, um homem branco, chegou dirigindo meu carro, desceu e foi tratado como dono. Fiz perguntas técnicas e ninguém deu atenção”.
Quando o gerente perguntou: “E aí, chefa, vamos comprar? O espanto foi geral. “Depois que ele conversar comigo e me explicar tudo de novo para mim, quem sabe”. Sou eu quem dou as cartas.”
Helen tem o sonho de regularizar um milhão de moradias e entregar 200 mil unidades.
“Aí eu me aposento. Até lá, vão ter que me engolir!”




