Chega de poeira
Apesar do paliativo, moradores de Itambé ainda sofrem com a poeira em épocas de seca e com o barro nos períodos chuvosos.
Matéria publicada na edição 255 da Revista DeFato.
Obra pública no Brasil feita dentro do prazo a gente sabe que é raridade. Um ou dois adiamentos são até tolerados com certa paciência pela população, que não acredita mais nos prazos oficiais declarados nos editais de licitação. Mas quando a obra é um asfaltamento de 20,5 km e o atraso ultrapassa os três, quatro anos, os usuários começam a ficar irritados e pressionar os órgãos responsáveis.
A pavimentação da estrada que liga o distrito de Senhora do Carmo, em Itabira, a Itambé do Mato Dentro, é um exemplo clássico desse problema – que não é privilégio da região. A RTM Engenharia, empresa que venceu o primeiro processo de licitação em 2009, precisava entregar a obra em 2010, mas não deu conta. Após vários adiamentos e poucos avanços, o Departamento de Estradas de Rodagens (DER) abriu nova concorrência para definir outra empreiteira, no ano passado.
Quem venceu o segundo certame foi a BT Construções, de Uberlândia, e ainda aguarda o sinal verde para começar a trabalhar. De acordo com a coordenação do DER em Itabira, o dinheiro está reservado e as obras podem começar a “qualquer momento”.
A empreiteira já enviou equipe para fazer as medições topográficas e está pronta para mobilizar homens e equipamentos. Segundo o superintende da BT, João Wellington, sua empresa é sólida e tem forte atuação no Triângulo Mineiro e em Goiás, com um bom histórico de eficiência. “Queremos fazer essa obra o mais rápido possível”, disse à DeFato, ao afirmar que tem à disposição 550 funcionários.
Os moradores e comerciantes de Itambé do Mato Dentro estão confiantes que desta vez a obra sai. O fazendeiro Sinval de Oliveira Santos Neto, 56 anos, conhecido como Tanico, não vê a hora. O terreno de sua família faz divisa com Itabira e está ás margens do que ainda será uma rodovia pavimentada. “Vai beneficiar toda a região e valorizar nossas propriedades. Será uma melhoria de 100%”, acredita.
No ano passado, durante o período chuvoso, o prefeito de Itambé, José Elísio de Oliveira Duarte (PMDB), se encontrou mais de uma vez com representantes do DER e da Secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas (Setop) para cobrar soluções. “O asfalto é de grande importância para nós, tanto na área do turismo quanto na área do comércio”, ressaltou. De acordo como prefeito, os belos atrativos turísticos de seu município, como cachoeiras, rios e balneários, têm muito potencial para atrair turistas, principalmente o povoado de Cabeça de Boi. Mas sem estrada o turista não chega.
O assunto chegou à Assembleia Legislativa e a Comissão de Transporte, Comunicação e Obras Públicas da Casa reuniu representantes da empresa, do Estado e dos municípios para tentar chegar a um resultado. A audiência foi requerida na época pelo presidente da comissão, deputado Ivair Nogueira (PMDB), a pedido do prefeito.
A união de esforços surtiu efeitos. Contratada, a BT Construções receberá R$ 6.040.422,81 pelo serviço e tem um prazo de 240 dias para concluí-lo. Ou seja, se a obra começar em abril, é possível que ela termine ainda este ano, de acordo com o edital.
De Senhora do Carmo para Itambé, cerca de 2 km estão asfaltados – faltam os acabamentos, como sinalização vertical, canaletas em alguns pontos, etc. De Itambé para Senhora do Carmo, cerca de 800 metros foram pavimentados. A obra de terraplenagem também ficou bem adiantada, embora seja necessário refazer alguns trechos. Como medida paliativa, o DER recuperou as partes mais comprometidas com as chuvas de fim de ano. Melhorou bastante. Mas a estrada ainda é de terra e os itambeenses estão cansados de poeira, buracos e lama.