China barra 69 mil toneladas de soja do Brasil, trigo com pesticida e suspende compras de cinco gigantes do agro brasileiro
A suspensão atingiu duas plantas da Cargill, unidades da Louis Dreyfus e da CHS Agronegócio, em São Paulo
A China suspendeu a importação de uma carga de 69 mil toneladas de soja do Brasil após detectar trigo com pesticida proibido misturado aos grãos, no porão do navio Shine Ruby, que seguia para Pequim, o que foi classificado como “infração grave” às regras de segurança alimentar pela Administração-Geral de Aduanas da China (GACC).
Diante do fato, a GACC bloqueou o lote e determinou a suspensão das compras de soja de cinco unidades brasileiras de gigantes do agronegócio.
A suspensão atingiu duas plantas da Cargill, unidades da Louis Dreyfus e da CHS Agronegócio, em São Paulo, além de uma planta da 3Tentos no Rio Grande do Sul.
Outras unidades dessas empresas continuam habilitadas a exportar a soja brasileira para o mercado chinês, mas, as operações específicas envolvidas na contaminação ficam suspensas até nova avaliação das autoridades chinesas.
No meio da carga, ao menos dez toneladas de trigo continham revestimento de pesticida, um produto químico tóxico e destinado apenas ao plantio, inadequado ao consumo humano ou animal.
O trigo endereçado à China não estava habilitado para exportação, agravando a violação das regras comerciais e fitossanitárias do gigante asiático.
Em comunicado enviado ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), as autoridades chinesas ressaltaram que a medida tem por objetivo a “proteção da saúde dos consumidores chineses e garantir a segurança da soja importada.”
A nota acentua que não aceitará declarações de importação de soja do Brasil que tenham origem dessas unidades dos produtos embarcados a partir de 27 de novembro de 2025 e que vai manter um bloqueio administrativo até o cumprimento das correções.
Pequim também salientou não ter sido a primeira vez que se detecta pesticida na soja brasileira, lembrando que em dezembro de 2024 e janeiro de 2025, o país já havia suspendido a habilitação de cinco estabelecimentos brasileiros após detecção de revestimento pesticida em remessas de soja ao seu país.
Em abril de 2025, o Brasil se comprometeu adotar medidas corretivas e compromissos formais para garantir a segurança da soja brasileira exportada para a China, mas, após nova contaminação envolvendo trigo tratado dentro do navio de soja brasileiro, a credibilidade fica prejudicada e aumenta a pressão por uma fiscalização mais rígida.
A gravidade do caso levou o Mapa a tentar reduzir o impacto institucional, com o secretário de Comércio e Relações Internacionais da pasta, Luís Rua, afirmando a necessidade de “relativizar a situação” diante da dimensão do comércio de soja do Brasil com a China, salientando que são cinco estabelecimentos diante de cerca de 2 mil habilitados à exportação, o que manteria o fluxo geral de negócios.
A China é o maior comprador mundial da soja do Brasil, respondendo pela importação de US$ 31,5 bilhões em grãos em 2024, equivalente a 73% de tudo o que o país vendeu ao exterior, aumentando entre janeiro e outubro deste ano para 78%, com movimentação de R$ 31,6 bilhões.
Luís Rua informou que o governo brasileiro vai chamar imediatamente as empresas envolvidas para esclarecer o que aconteceu e a origem da contaminação, observando que o Brasil leva muito a sério qualquer questionamento de um parceiro comercial e que as análises serão feitas com transparência e rapidez, para proteger a imagem da soja brasileira no maior mercado importador.
No documento enviado à Embaixada do Brasil em Pequim, a GACC cobra “elevada atenção” à segurança dos produtos agropecuários enviados ao mercado chinês, como o reforço do controle na origem, o fortalecimento da supervisão oficial e a implementação de medidas sanitárias e fitossanitárias rigorosas antes do embarque do produto.
Para reverter a suspensão, os estabelecimentos envolvidos deverão conduzir uma investigação formal sobre a origem da contaminação, sob supervisão do Mapa, adotando medidas corretivas para evitar reincidências e demonstrar capacidade efetiva do controle sanitário.
Depois dessas medidas, mediante recomendação de autoridades brasileiras, a China vai avaliar a reabilitação dessas unidades exportadoras de soja do Brasil e decidirá se vai aceitar seus embarques.




